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Essa semana, o Facebook divulgou a intenção de abrir um pedido de oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês). A ideia é levantar 5 bilhões de dólares na bolsa de valores de Wall Street. A quantia é uma meta preliminar e pode ser elevada nos próximos meses, de acordo com a demanda dos investidores. A empresa tem um valor de mercado sequer pensado para muitos pequenos empreendedores, que pode chegar a 100 bilhões de dólares.

No entanto, a rede social oferece chances de aumentar os lucros de outras empresas, como ocorreu com o Bar Brejas. Sabendo do tamanho da rede social, que conta com mais de 800 milhões de usuários ativos, 70 milhões deles no Brasil, o sócio Mauricio Beltramelli criou uma conta do negócio no Facebook.

Inicialmente despretensiosa, a página já foi curtida por mais de 12 mil pessoas e aumentou o movimento do empreendimento em 15%. Segundo Beltramelli, as ações na rede social são pensadas entre ele, o sócio e o gerente da loja, mas tiveram início sem um foco principal. “Meu sócio fez um curso online e aprendeu a usar o Facebook e fazemos tudo sem consultoria externa”, diz Beltramelli.

A página é utilizada apenas para divulgar promoções, que tomam 90% do espaço, e informações sobre cervejas. “Eu mesmo faço as chamadas e tento ser o mais criativo possível, com montagens, fotos e frases que atraem as pessoas”, conta.

Cuidados
Apesar de ter dado certo, a estratégia de avançar sem um plano definido pode ser perigosa, alerta a professora de marketing digital da ESPM Martha Gabriel. Segundo ela, quem não conta com profissionais especializados em marketing,deve se atentar às melhores formas de ganhar dinheiro usando a internet, sempre com um planejamento prévio. “Se for e-commerce, o tipo de ação deve ser diferente de quem desenvolve aplicativos, por exemplo”, explica Martha.

Como destacou Martha, uma mesma página pode ter áreas institucionais e com foco promocional, sem a necessidade de fazer várias páginas para cada coisa. Porém, é importante notar as características do negócio, as estratégias e a possibilidade. “Há cursos online gratuitos que mesmo os pequenos empresários devem fazer em situações em que não há uma pessoa responsável só por divulgação na rede”.

Além disso, a forma de lidar com os consumidores também deve ser planejada. Segundo a professora, não é preciso responder a todas críticas ou elogios, ou entrar em contato com cada novo internauta que curtir a página. “O conselho é analisar o que está sendo dito, ver se o usuário é verdadeiro e, principalmente, aproveitar comentários para alavancar novas ações”, sugere. Martha ressalta a importância de acompanhar o que virou assunto e criar novas estratégias a partir disso.

Especialmente entre pequenos empresários, há a tendência de misturar a página corporativa com a pessoal. “Não divulgue nada pessoal no perfil da empresa”, destaca Martha. Outra cautela é com as peculiaridades do ambiente. “Primeiro entre, observe como funciona, aprenda as regras, como curtir, como publicar fotos e viva o ambiente. Só depois, leve isso para a empresa”, aconselha a especialista.

Vendas
Além de uma plataforma de divulgação muito eficaz, por conta da possibilidade de compartilhamento e da estrutura que registra as curtições e comentários nas páginas dos amigos, o Facebook pode ser uma loja. Atualmente, diversos negócios utilizam essa possibilidade para ir além do marketing.

Há sites especializados em transformar a página da rede social em e-commerce. Uma delas é a Like Store, que começou a operar em agosto de 2011 e já tem mais de 3 mil lojas funcionado com seu aplicativo. Como explica o co-fundador e diretor do site, Gabriel Borges, é necessário seguir cinco passos simples, que não exigem nenhum tipo de conhecimento técnico do usuário.

O usuário precisa informar dados da loja, configurar uma conta no parceiro de pagamento, cadastrar os produtos, escolher o método de entrega e associar a página da Like Store à sua. A partir daí, já pode começar a vender seus serviços ou produtos pela rede social. Abrir a loja no Facebook não tem custos. “O lojista vai ter um desembolso apenas quando fizer uma venda, uma comissão de 2% em cima do produtos”, ressalta Borges.

Outra opção é o Kauplus, criado pela dupla de engenheiros da computação Rafael Barbolo e Rafael Ivan Garcia. Em dois meses de desenvolvimento, 300 lojas já estão registradas no site. Segundo Garcia, o diferencial é a isenção de qualquer tipo de taxa, com exceção da cobrada pela operadora de pagamento. “Não há mensalidades, nem comissão. O único gasto para o lojista é o meio de pagamento, cuja taxa é de 5,5% sobre a compra”, diz Garcia.

Dicas
Segundo a professora de Marketing Digital da ESPM Martha Gabriel, há várias maneiras de ganhar dinheiro utilizando a internet, com variações de acordo com a natureza no negócio. Ela destacou três passos para ajudar quem pretende se aventurar pelo Facebook sem consultoria:

1. Montar uma e-commerce

Como o Kauplus e a Like Store, há outras plataformas que oferecem aplicativos de f-commerce a partir da página. Basta que o interessado cadastre os dados da empresa, produtos, configure a página e começar a vender.

2. Saber comunicar

A ideia é traçar estratégias de comunicação em que as pessoas curtam o que é dito na página da empresa e espalhem promoções. “O post do Facebook tem vida útil muito maior do que no Twitter. Lá demora cerca de 1 hora para esgotar os comentários sobre um assunto, no Facebook leva-se aproximadamente 3 horas para esgotar”, avalia a professora.

3. Ser desenvolvedor

O Facebook oferece um enorme potencial para o desenvolvimento de aplicativos. “As empresas ficam com uma presença que gera um novo ecossistema de possibilidades de desenvolvimento, tecnologia de informação, marketing e programação. Seja ousado e use esses formatos”, ensina Martha.