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Sempre acionei minha mente criativa na hora de ter um orgasminho despretensioso. Alugar ou comprar DVD pornô não é coisa de moça. Mas, com o advento da putaria na internet, tudo ficou como prometem 99 de 100 anúncios publicitários: a um clique de você. Seria eu doente? Seríamos todos como o Gerson Gouveia de Passione? Vovô estaria me vendo fazer isso do céu? Minha vizinha estaria ouvindo os gemidos da russa mesmo estando eu de fones de ouvido? Fecho todas as frestas da janela. Apago a luz. Me sinto péssima depois. Vocês, rapazes, não sabem quanto de culpa, de insegurança e de dúvidas permeia as veias de uma mulher. Não tem a ver com nossa primeira comunhão. É mais profundo: tem a ver com o fato de sermos pessoas com útero, ovários e trompas. Algo dentro do mais profundo de nossa cachola grita, como uma mãe natureza histérica: seja limpa!

Por mais que eu escolha os vídeos amadores que prometem uma trepadinha inocente entre namorados (ela com seios verdadeiros e um pouco de barriga, ele com um pinto como o seu e o de seu vizinho e sem óleo pra deixar o abdômen brilhante), e não os que anunciam jebas mirabolantes, duplas penetrações, festinhas esburacadas (onde é que esse povo arruma tanto buraco?), animais, sodomizações… — eu ainda me sinto culpada.

Será que tanto mal-estar seria apenas uma baixa energética por causa do ambiente pesado? Tipo quando algum amigo publicitário resolve ser muito cool e faz uma festinha fechada em puteiro. Você pode só pedir uma água e beijar a prima caipira de seu melhor amigo, mas algo está errado. Mas é a energia do lugar. Ali já rolou o que algum guru espiritual poderia chamar de suruba cármica cósmica. A energia de um site de putaria automaticamente te liga ao lado obscuro da escória humana. Seria isso? Ou entrar num site de putaria, de vez em quando, é tão saudável quanto mandar um saco de baconzitos para dentro do estômago só porque também faz parte de ser ser humano?

Todos os meus namorados tentavam me explicar sua obsessão por masturbação: “Não tem nada a ver com não estar feliz com você, é só porque é algo que o homem faz”. Eu realmente não entendo, mas confesso que em dias críticos (ovulação) somados a fases críticas (mais de um ou dois meses sem transar) eu acabo vendo uma sacanagenzinha só para relaxar.

Eu odeio quando a mulher é muito vadia e tem o corpo modelado. Gosto de imaginar que são pessoas de verdade transando em sua casinha classe média depois de um dia duro de trabalho. Odeio quando elas dizem coisas do tipo “me faz enlouquecer, you bastardmotherfucker”. Para que tanto ódio? Gosto quando a única introdução é sexual, e não daquela lenga-lenga dramática da mulher contando que está carente e do cara convidando ela pruma massagem: quem tem saco de ver esse povo conversando de roupa? Odeio quando eles olham para a câmera, quando olham para mim. Não quero que me vejam. Gosto quando o casal se entrosa, se curte e esquece de tudo.

Será que sua namorada vê pornografia na internet? É fácil saber: veja se ela limpa o histórico. Histórico: lavou, tá novo!

*Rita Cassandra é jornalista e fã de Garganta Profunda: ritacassandra@revistaalfa.com.br