Por que elas querem se mostrar?
O fenômeno se consolidou como uma nova forma de emancipação feminina: cada vez mais professoras, donas de casa, executivas e outras mulheres comuns se exibem em ensaios sensuais e books para presentear maridos, namorados, desconhecidos - e, principalmente, elas mesmas

No dia em que resolveu fazer pela primeira vez um ensaio erótico, a promotora de eventos Renata Malavazzi, 34 anos, chegou nervosa ao estúdio do fotógrafo Marcus Stenmeyer, da agência My Beauty, em Campinas, no interior de São Paulo, especializada em produzir books sensuais de mulheres anônimas. Renata bebericou alguns goles de uísque antes do início da sessão para driblar a timidez e logo encarnou a persona de pôster central. Maquiada e produzida com uma lingerie negra, fez dezenas de fotos durante oito horas e se sentiu a mais glamourosa e desejada das mulheres. “Queria essas fotos para provar que posso ser tão sensual quanto qualquer modelo que sai em revista”, afirma Renata, que pagou 2 000 reais para fazer o ensaio. Ao ver o livro com as fotos, o namorado de Renata ficou tão espantado que até perdeu a voz. “Não vai falar que eu estou maravilhosa?”, intimou a promotora. “Calma, preciso assimilar”, gaguejou ele, até que, após respirar fundo, soltou que as imagens estavam “lindas”. Ela gostou tanto que não vê a hora de fazer o próximo ensaio. “Só estou me segurando porque preciso juntar dinheiro para comprar um apartamento”, diz.
Como a promotora de eventos Renata, há cada vez mais mulheres, de todas as idades, estilos e profissões, que tomam a iniciativa de mostrar o corpo, aproveitando as novas tecnologias que baratearam a produção e disseminação de imagens. O fenômeno é global. O site americano SuicideGirls, por exemplo, se dedica a publicar imagens sensuais de garotas alternativas. As musas do endereço são meninas radicais que podem ser encontradas em concertos de rock ou bares underground. De tempos em tempos, os administradores do serviço promovem encontros com as estrelas do Suicide, num misto de show e happening de arte erótica. Outras amadoras dedicadas se exibem nas redes Facebook, Twitter, Flickr ou Tumblr, como podem até mesmo pagar para se expor.
No Brasil, há quem gaste 4 000 reais para fazer um “book sensual”, item que algumas consideram hoje tão importante quanto um álbum de debutante ou de casamento. Em geral, os trabalhos não mostram cenas de nudez e, portanto, não têm conotação pornográfica. A agência My Beauty é um bom termômetro da onda. Seu proprietário, o fotógrafo Stenmeyer, teve a ideia de montar a empresa depois de realizar um ensaio sensual para uma amiga que morava em Portugal. Sentiu ali uma demanda pelo negócio e abriu o estúdio em Campinas em 2009. Hoje, faz pelo menos quatro ensaios por mês. “De menina de 21 a senhora de 57 anos, com todo tipo de corpo”, informa. O fenômeno de comportamento chegou à TV aberta pelo quadro A Patroa É um Avião, exibido semanalmente há um ano no programa SuperPop da Rede TV. Nele, uma anônima recebe os cuidados da produção para fazer um ensaio sensual, exibido depois ao vivo para “surpresa” de seu respectivo marido.
O quadro do SuperPop serviu de inspiração para a estudante paulistana Catharina Mota Souza, 25 anos, que andava desanimada após o nascimento da primeira filha. O bebê nasceu prematuro, passou três meses na UTI e, ao sair, demandou cuidados especiais nas mãos de pediatras, fisioterapeutas, oftalmologistas e neurologistas. Depois de tanto tempo dedicado à criança, Catharina percebeu que tinha se descuidado completamente de sua vaidade. “Precisava de uma injeção de ânimo”, diz. Ao ver como outras garotas se exibiam na TV, decidiu provar que, além de uma boa mãe, também é uma mulher sensual e ousada. Contratou um fotógrafo e realizou a fantasia de posar deitada de lingerie branca na mesa de sinuca do bar favorito do marido. “Fiquei feliz que ele tenha gostado do resultado, mas fiz o ensaio para mim mesma”, diz Catharina. “Foi ótimo para resgatar minha autoestima.”

O que tem levado um número cada vez maior de mulheres a fazerem esse tipo de fotos? Para alguns especialistas, essa onda exibicionista é um novo rito de passagem na fascinante mitologia feminina. Segundo eles, a vontade de tirar a roupa é um novo tipo de emancipação. Obrigadas a acumular os papéis de profissional, mãe e dona de casa, elas perceberam num belo dia que haviam se esquecido da mulher. “Descobrir as múltiplas facetas de si mesma exercitando a sensualidade e provocando o outro é interessante para desenvolver a sexualidade”, afirma Carolina Ambrogini, coordenadora do Afrodite, projeto de sexualidade feminina da Universidade Federal de São Paulo. Outra motivação é que, a exemplo das modelos e atrizes mais famosas, muitas das anônimas também sentem hoje a necessidade de cristalizar seus momentos em fotografias, pois sabem que a beleza não vai durar para sempre. “A mulher desenvolve muito cedo o olhar para si mesma, pois é educada para atender os outros e ser agradável”, diz o psiquiatra e psicoterapeuta Luiz Cuschnir. “Esses ensaios são uma forma nova de exercitar essa cultura de exibicionismo.”
A professora de inglês Anne Becker passou a vida sonhando em se exibir aos outros. Na pré-adolescência, sozinha diante do espelho, dançava vestida com lingeries de pin-up dos anos 40, imaginando-se uma Marilyn Monroe – a atriz, aliás, serviu de inspiração para a insinuante tattoo na coxa direita. Hoje, aos 21 anos, Anne trocou o espelho pela rede. Em vários sites, ela exibe imagens feitas por um amigo fotógrafo em que aparece de corsetes, cintas-ligas e até algemas. Mas a garota não recebe nada em troca dessa exposição – ela ganha a vida dando aulas de inglês num curso de idiomas de São Paulo. A professora faz os ensaios sensuais pelo simples prazer de saber-se vista e desejada. “Claro que gosto de ouvir que desconhecidos gostam do que faço, mas o elogio das pessoas próximas é bem melhor.” (O namorado de Anne, por exemplo, aprovou as imagens). Para a professora, explorar a sensualidade na rede é “uma forma de feminismo”. “Mulheres lutaram durante muito tempo para conseguir explorar a sensualidade sem serem julgadas por isso”, afirma Anne, que sonha em se tornar estilista de uma linha de lingeries que “resgate a sexualidade misteriosa e artística de antigamente”.














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9 comentários
Isso é somente um modo fácil delas terem adimiradores e encherem o próprio ego. São como crianças que gostam de fazer traquinagens pros pais ficarem olhando. Não tem nada haver de emancipação da mulher. Até quando vão ficar com essa história de sexo frágil, proibição, etc. A mulher hoje é mais livre e tem mais vida sexual que a maioria dos homens normais.
Concordo contigo, acho que as mulheres hoje estao aprontando mais que os homens nao acredito nisso de que a mulher e um sexo fragil. Por exemplo nao acho machismo (e nem ciumes) o cara pedir que a sua mulher nao use uma mini micro saia para mostrar suas curvas, entretanto acho justo dividir as tarefas domesticas quando os dois trabalham fora.
nós somos crianças?! ou saum vcs homens as crianças k naum vivem sem nós mulheres… naum podem ver um rabo de saia k fikam babando… asim como toda mulher temos sim o direito de mostrar a nós mesmas o kal linda e sensual somos… naum precisamos dessa “forma fácil de termos admiradores” como o FElipe falou…
Por que ser uma mulher anonima não quer dizer que ela seja feia. Pelo contrario, as maiores belezas estão anonimas, e só os homens inteligentes percebem. Belezas que não precisaram de bisturi e botox para serem moldadas. Que não precisam prostituir suas imagens para que todos conheçam sua beleza.
eu sinceramente não sei , oq importa é que elas são muito lindas e eu, adoro ver as fotos dessas mulheres lindas, maravilhosas
Acho que os homens devem dar mais volor as mulheres, que estão ao seu lado, para que elas não se sintão ifrior, as que estão em evidencia.
[...] Sujo) para uma entrevista que virou texto e acabou não sendo publicado na matéria “Por que elas querem se mostrar”, na edição de outubro da revista Alfa. Melhor assim, já que por aqui dá pra conversar com [...]
eu quero tudo isso enviado pra mim por e-mail,adorei.
eu quero essas gatas no meu email.valeu!