Anderson Silva pode ajudar você a ser melhor do que você é
Está mais que provado: nenhum escritor de autoajuda aguentaria cinco minutos num ringue com ele. Agora, você sabe a quem pedir conselhos

Ele passou anos treinando muay thai em academias malcheirosas, achando que o vale-tudo não era uma boa ideia. Até que pensou: por que não? Logo na primeira luta, jantou um “jiujiteiro” famoso, algo inimaginável para alguém sem habilidades nesse tipo de combate, como era seu caso. Agora, 26 280 horas de treino depois (a conta é dele), Anderson Silva, 36 anos, é o lutador mais importante da modalidade esportiva que mais cresce no mundo, o MMA, também conhecido como vale-tudo. No início de agosto, ele se tornou o primeiro lutador brasileiro e o único de MMA a ser patrocinado pela Nike. No dia 27 de agosto, lutará de novo no Brasil, dez anos após sua última peleja em solo natal. Será o primeiro Ultimate Fighting Championship a acontecer aqui após o boom de popularidade da modalidade. Você acha que ele se deslumbra? “Não, cara… Vou encarar como todas as outras lutas que fiz”, diz, modesto.
ALFA conversou com Anderson com exclusividade pouco antes de um dos treinos que precederam sua exibição no Rio de Janeiro. Pedimos a ele que contasse o que de mais importante aprendeu durante os 18 anos em que lutou como profissional.
Trace objetivos simples “Eu treino e sempre treinei para sair do ringue do mesmo jeito que entrei. Meu objetivo é voltar inteiro para casa. Tem dado certo.”
Nosso comentário: essa regra não deve ser generalizada. Não funciona para os adversários de Anderson desde 2006
Não tente ser um super-homem “Todo mundo [no vale-tudo] tem medo. Quem falar que não tem medo está mentindo.”
Nosso comentário: dito por um cara que não perde desde 2004 (foram 17 combates, 16 vitórias e uma desclassificação), fica óbvio que administrar bem o medo se traduz em excelentes resultados
Sofrer faz parte do jogo “Braço quebrado, pé torcido, isso é a coisa mais comum do mundo. Quando treinava forte jiu-jítsu, cansei de ter luxação nas juntas por não me render.”
Nosso comentário: em suma, você vai apanhar, mas tente não cair
Trabalhe com gente que entenda sua realidade “Os donos do UFC treinam lutas e isso os aproximou da gente. Eles sabem o que a gente passa, os treinamentos, as lesões. Toda vez que eu me machuquei, eles trataram de colocar um médico à minha disposição.”
Nosso comentário: nada mais que a obrigação, não é? Os caras ganham uma fortuna com as lutas
Não tenha medo de ser criticado pelo chefe “É claro que, quando a gente erra, tem pito. Isso cria um clima meio de ‘ah, mas o Dana (presidente do UFC) não gosta de você…’ Nada disso. Quando você não se desenvolve no trabalho como deveria, é normal que haja uma crítica do chefe.”
Nosso comentário: Anderson ainda não foi atingindo pela metralhadora verbal de Dana White. Ele deve ter ficado com medo
Não se deslumbre com títulos e prêmios “Fui eleito o melhor lutador de todas as categorias, mas minha vida continua a mesma. Muito treino e foco nos objetivos. Foi um título que me deram, mas acho que não é real.”
Nosso comentário: se não é real, só pode ser dólar. Melhor ainda
Não vire seu maior inimigo “O grande problema é a gente querer ser melhor que as outras pessoas. Se a gente não consegue ser melhor do que a gente mesmo, como vai ser melhor que o outro? Sendo melhor do que você é, você consegue alcançar objetivos mais rápido.”
Nosso comentário: não desejamos ser lutadores melhores do que você, Anderson. Mas preferíamos não ter apanhado tanto naquela briga de colégio há 30 anos…
Não seja vítima das circunstâncias “Você tem de estar focado para não cair em armadilha. A vitória e a derrota andam lado a lado. Você pode ser nocauteado ou desqualificado a qualquer momento. Por isso, a concentração.”
Nosso comentário: mesmo prestando atenção, algumas coisas nos pegam de surpresa. Tipo a fatura do cartão de crédito da mulher, o boletim dos filhos…
Faça duas coisas: trabalhar duro e ficar com a família “Eu não tiro férias. Treino profissionalmente desde os 18 anos. Às vezes, descanso no sábado ou domingo. Aí, vou ficar com minha família. Família dá um chão. Quando você tem a família, você tem suporte. É super importante.”
Nosso comentário: e quando a gente precisa de férias da família?
Honre seus mestres “Nunca pensei que seria campeão de MMA. Sempre treinei para ter as mesmas habilidades e conhecimentos dos meus professores, para que eu pudesse formar outros bons professores como eles. Nunca imaginei que eu chegaria aonde estou.”
Nosso comentário: o que você está esperando para mandar um presente para aquele professor que fez você refazer o mesmo trabalho três vezes?
Não ouça quem não merece ser ouvido “Sempre tem um engraçadinho. Muitas vezes, as pessoas que criticam não sabem o que antecede uma luta, o que você passou. Eu não faço questão de me explicar. Por isso que o médico é médico, o dançarino é dançarino e o lutador é lutador.”
Nosso comentário: não entendemos muito bem o que o dançarino está fazendo aí no meio, mas OK
Não tenha medo de provocar o adversário “Não me arrependi de ter provocado Victor Belfort com uma máscara durante a pesagem. Claro que não. Faz parte do show. Não me arrependo de nada.”
Nosso comentário: não teríamos problema em nos arrepender de ter provocado Victor Belfort. Ele provavelmente faria com que nos arrependêssemos de todo modo…
Pense sempre positivamente “Não sei o que faria se perdesse. Espero que eu não perca.”
Nosso comentário: nem a gente.











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