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O entrevero judicial entre Romário, atualmente deputado federal, é mais um exemplo dos sombrios caminhos administrativos do futebol. Independentemente do mérito da questão, é possível perceber claramente que o Vasco se envolveu numa negociação com somas gigantescas que nunca teve condição de pagar — e não há uma pessoa física para se responsabilizar.

A pessoa física, no caso, é Eurico Miranda. Em 2004, então presidente do Vasco, ele assinou um confissão de dívida para com Romário no valor de R$ 22.498.000,00. O que motivou essa dívida? Não há explicações detalhadas, além do fato de que Romário não tenha sido pago pelos serviços prestados ao Vasco.

Eurico Miranda assinou a confissão de dívida em nome do clube, não no dele, claro. Assim, o problema não é dele, é do Vasco.

E agora estoura nas mãos de Roberto Dinamite, que vem tentando dar um pouco de transparência e dignidade à administração vascaína. Parece um esforço inútil. A dívida, cobrada na justiça, penhorou o mais importante capital do clube — os jogadores Dedé, Fellipe Bastos, Eder Luis e Nilton — além das cotas de patrocínio. Um determinação que pode levar o clube à falência, por erros administrativos feitos por um gestor do passado sem a menor responsabilidade pelo presente.

Essa situação é um dos motivos que vem estimulando, por parte do governo, o desenvolvimento de uma lei de responsabilidade fiscal. O projeto ainda está imaturo, mas deve incluir a responsabilização da pessoa física do presidente do clube sobre todas as questões financeiras ocorridas em seu mandato. Se esse mecanismo legal existisse antes, Eurico Mirando não estaria agora rindo do desastre que ele próprio provocou.