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Ninguém acreditou quando, lá atrás, afirmou-se que a Copa do Mundo no Brasil nada custaria ao governo brasileiro. Os fatos foram revelando outra realidade, a começar pela linha de crédito do BNDES para o chamado “dinheiro da Copa” — que inclui não só a construção de estádios e de infraestrutura nas cidades-sedes, mas, também, apoio a obras que favoreçam o turismo.

Mas isso não bastou. Há, na verdade, uma mobilização para extrair mais recursos do governo que possam alimentar a grande máquina que movimenta a Copa do Mundo no Brasil. No início do mês, o Congresso aprovou uma medida provisória, proposta pela bancada do PMDB, que autoriza o uso de recursos do o FI-FTGS em projetos para a Copa do Mundo. O FI-FGTS é um fundo de investimento, criado em 2007 a partir dos recursos do fundo de garantia, para obras de infraestrutura em áreas como portos, hidrovias, ferrovias, energia e saneamento. Dilma Rousseff, no entanto, não caiu nessa e vetou a decisão do Congresso alegando que “a proposta desvirtua a prioridade de aplicação do fundo de investimento” do FGTS.

A presidenta jogou duro e não foi pela primeira vez no que diz respeito a essa questão. Em novembro do ano passado, ela já tinha vetado proposta semelhante e tanto então como agora, a explicação foi curta e grossa: “os empreendimentos relacionados à Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016 já dispõem de linhas de créditos disponíveis para o seu desenvolvimento, além de recursos garantidos pelo governo federal para os investimentos definidos como essenciais à realização dos eventos”. A Copa, pelo visto, abre apetites insaciáveis.