Share

Dá para calcular a expectativa de vida de uma pessoa com 20,
30, 40 ou 50 anos?

Não. O que se sabe, segundo o IBGE, é que a expectativa de vida
do brasileiro aumentou em 10,6 anos em 2008 com relação a 1980. Segundo o estudo Revisão 2008 da Projeção da População do Brasil, os homens mantêm uma expectativa de vida inferior à das mulheres, com uma média de 69,4 anos contra 77 anos. Já uma pessoa que tinha 60 anos em 2009 poderá viver, em média, até os 81,27 anos, segundo o IBGE. Em 1980, ela viveria somente até os 77 anos.

O que uma pessoa deve fazer (aos 20, 30, 40 e 50) para ter dinheiro até os 100 anos?
“Se você poupar 15% dos seus rendimentos, terá de poupar por 34 anos; se poupar 20%, 30 anos; se poupar 25%, 27 anos. E se poupar 30%, 24 anos e meio. Assim, quando se aposentar terá um rendimento equivalente à média ponderada de seus rendimentos, já corrigidos pela inflação. Isso significa que o método é o mesmo, mas quem começa mais tarde tem de se sacrificar mais ou postergar a aposentadoria”, explica Valter Police, planejador financeiro.

O que fazer para acumular a quantia necessária?
Segundo o economista Fernando Meibak, autor do livro O Futuro Irá Chegar!, é muito comum observarmos idosos vivendo em casa de filhos ou em asilos ou abrigos. “Se você não quer acabar assim, comece já a preparar a sua reserva financeira”, diz Meibak. No livro, ele faz alguns cálculos interessantes. Veja quanto será preciso poupar para retirar 10 mil reais ao mês por 30 anos, a partir dos 60 anos, com as seguintes idades:

Quanto de sua renda seria ideal poupar, em porcentagem?
“Se você guardar 10% ao mês para sua aposentadoria durante toda a sua vida produtiva, terá um futuro financeiro garantido”, diz o planejador financeiro Fabiano Calil. Em vez de pedir aos seus clientes que economizem 10% por mês, ele sugere que eles gastem só 90% do que ganham. “Parece bobagem mais isso faz uma grande diferença na elaboração do hábito de poupar”, afirma. Claro que nem sempre a pessoa começa a poupar a partir do primeiro salário. “Quanto mais cedo, melhor, pois com mais tempo será preciso colocar menos dinheiro ao longo do tempo. Mas sempre é hora de começar.”

Faz sentido sacrificar-se (fazendo horas extras, por exemplo) enquanto se tem energia e saúde pensando em uma aposentadoria que não se sabe em que condições será vivida?
“Dos 35 aos 55 anos é o período de fazer dinheiro. Se nessa fase não sobrar nada para investir no futuro, será quase impossível fazê-lo em outro momento sem grandes sacrifícios”, diz Calil. É preciso ser disciplinado e poupar um pouco.

Não é melhor viver uma boa juventude, curtir o dinheiro e depois restringir algumas coisas na velhice?
Adiar a decisão de aplicar parte do rendimento para a futura aposentadoria faz a pessoa chegar aos 45, 50 anos desprotegida financeiramente. “Se, nesse momento, você resolve compensar o tempo perdido, ao fazer as contas descobrirá que os valores necessários são altíssimos”, diz Police. O especialista aponta também um fator importante para derrubar esta teoria: a ocorrência de eventos inesperados. Desemprego ou doença são os principais fatores que colocam a pessoa que não tem um colchão financeiro na posição de devedor passivo. No Brasil, 80% dos devedores são passivos, ou seja, pessoas que tinham as contas em dia, mas nenhuma reserva financeira e foram surpreendidas por uma situação cujo custo não cabia no orçamento. Sem ter de onde tirar o dinheiro, elas se endividam. Em muitos casos, passam a ser perseguidas por credores e acabam nas mãos de agiotas. “Não estamos falando apenas de pessoas de baixa renda. Há muita gente da classe A nessa situação”, diz Police.

Uma mudança de carreira não implica em investimento (tanto financeiro quanto de tempo e disposição)?
O que os especialistas aconselham não é uma mudança de carreira e sim a preparação para uma segunda profissão que se encaixe melhor nessa fase da vida. “Uma pessoa de 50 anos que trabalhe numa grande empresa cuja idade da aposentadoria é 60 anos tem dez anos para se preparar para isso. Por que não transformar o hobby de cozinhar num negócio? Ele pode começar aos finais de semana, servindo duas mesas na sua casa. Haverá dez anos sem precisar deixar o emprego ou fazer grandes investimentos”, diz Fabiano Calil.

Quanto deveria ser investido em imóveis, ações, fundos etc.?
A diversificação dos investimentos é fundamental, mas não existe uma fórmula pronta, porque depende de cada perfil. Uma sugestão é a regra dos 80: pegue o número 80 e subtraia da sua idade. O valor resultante é o limite máximo, em porcentagem, para investimentos de risco, como ações.
As pessoas em geral precisam de mais, menos ou do mesmo dinheiro aos 40 e aos 70? Por quê?
De acordo com Fernando Meibak, os gastos mensais que as pessoas têm ou terão na idade avançada serão diversificados: alimentação, energia elétrica, gás, água, roupas, lazer, moradia, empregados, seguros, planos de saúde, remédios, hospitais, dentistas, viagens, jornais e revistas, TV a cabo etc. “A massa de recursos para fazer frente aos gastos necessários de cada pessoa irá variar conforme seu estilo de vida, e o valor das reservas para bancar essas despesas será calculado em função desse padrão de gastos”, diz.

O que é mais seguro: fazer uma previdência privada desde cedo ou acumular bens e capital por conta própria? Como planejar isso?

Para estruturar um programa de aposentadoria, seja com previdência privada ou acumulando bens e capital, é preciso levar em conta as características de cada indivíduo e família (histórico familiar, tendência, situação atual, variáveis que podem interferir etc.). É indispensável, também, levar em conta a diversificação e o realinhamento da carteira de investimentos conforme o perfil mudar ao longo da vida. O consultor Francis Hesse analisou as duas hipóteses. “Planos de Previdência Privada (tirando aqueles para crianças) são mais indicados a executivos, que se dedicam muito à empresa e não têm tempo para mais nada. Já a montagem de um patrimônio por conta própria convém a empresários (que também não têm tempo, mas sempre encontram), que gostam de identificar novas oportunidades, e a profissionais liberais.” O mais importante, contudo, é a persistência. Fundo ou bens para aposentadoria não devem ser usados para trocar de carro, viajar, quebrar galhos…

De que maneira é melhor investir, pensando na longevidade?

“É preciso considerar chegar aos 80 anos como padrão mínimo. As pessoas, de forma geral, tendem a não pensar nessa realidade”, afirma o economista e planejador financeiro CFP Francis Hesse. Deve-se levar em conta também o nível de preocupação de cada um e a sensação de segurança que cada pessoa precisa ter com relação aos seus investimentos. Qual é a zona de risco em que se sente confortável? “Em geral, quanto mais idade a pessoa tem, mais conservadora ela fica, e cada vez mais tem medo de perder qualquer coisa”, diz Hesse.
Seguindo as considerações acima, deveríamos ter um padrão arrojado de investimentos até os 50 anos, adotar um padrão médio dos 50 aos 70 anos e, com mais de 70, seguir um padrão conservador.

O que acontece é que, ao viver mais, as pessoas costumam trabalhar até mais tarde, seja por gosto, por imposição para manter seu padrão de vida ou pela consciência de que precisam acumular patrimônio extra. Com isso, o padrão poderia avançar mais dez anos, ou seja: até os 60 anos manter investimentos arrojados; dos 60 aos 80 um padrão médio e acima dos 80 um padrão conservador. “As pessoas estão mesmo mais arrojadas até os 60 anos: começam um novo negócio, trocam os cônjuges por um mais novo, têm novos filhos. Depois dos 60, se acomodam mais. E não estamos falando apenas dos “novos ricos”, mas sim os ricos que voltaram a usufruir sua riqueza: comprar novas casas, iates, viagens, joias, carros etc.