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São poucos os que ainda se lembram de Piolim — ele morreu melancolicamente em 1973, aos 76 anos, esquecido do seu público e fora do seu tempo. Sua graça no picadeiro não sobreviveu às novas tecnologias e o palhaço mais famoso do país transformou-se em apenas uma referência dos mais velhos. Mas é em homenagem a ele que adotou-se o “dia do circo” — 27 de março é o dia em que nasceu.

Abelardo Pinto, seu nome verdadeiro, nasceu dentro de um circo em Ribeirão Preto. Mas, além de se projetar como palhaço, conquistou também o reconhecimento dos intelectuais da Semana de Arte Moderna realizada em fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo. Foi considerado pelos artistas e escritores do evento como um exemplo genuinamente brasileiro e popular. Piolim explorava a vida do homem comum, satirizando os menos favorecidos, como os mendigos e bêbados. Vestia-se com um casaco enorme, bem maior que seu tamanho e sapatos número 84, com bico largo, além da famosa bengala, definida por ele como “um anzol de pescar submarino”. Além das gargalhadas que arrancava de plateias de todas as idades, surpreendia também pela habilidade de ginasta e equilibrista.

E palhaço o que é? É ladrão de mulher!