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Batman

Altas expectativas costumam vir seguidas de grandes decepções. É assim com Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, com estreia na próxima sexta-feira (27) no Brasil. A perspectiva é bater recordes de bilheteria e deixar fãs extasiados com o ultimo episódio da trilogia iniciada com Batman Begins, em 2005. Só que o filme é excessivamente longo e com algumas falhas de roteiro. Claro, a fotografia é fantástica, a edição e mixagem de sons são favoritas ao Oscar.Mas não cativa.

É como se o tiro do diretor Christopher Nolan tivesse saído pela culatra. Ele não conseguiu superar a si mesmo. Ao assistir ao novo filme, o espectador terá a certeza de que O Cavaleiro das Trevas — com a atuação premiada de Heath Ledger como Coringa — não é apenas superior, como também é o filme que melhor capturou o espírito do par Batman-Wayne, com suas dúvidas, medos e desejo de vingança.

Precisamos parar de prestar glórias a Nolan. Ele não é fantástico. Ele não é Hitchcock. Ele não é Kubrick. O diretor atende aos interesses (financeiros) da Warner. E isso está claro no final de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge. A prova disso é que, dentro da lógica interna da própria trilogia, o final deveria ser outro.

O filme também poderia ser mais curto. São 165 minutos. Há muitas explicações sobre o plano do vilão Bane e um grande arrasto no miolo. A quebra de ritmo vem no momento em que Batman precisa descobrir a si mesmo. A jornada interior é única maneira de derrotar o inimigo. Faz parte de toda narrativa sobre heróis, mas o público se remexe na cadeira, torcendo para que os tiroteios e pancadaria voltem.

Christian Bale é culpado por essa morosidade. Convenhamos, apesar do Oscar por O Vencedor, ele não é um grande ator. Nos momentos mais dramáticos, Balenão rende o que deveria. O descompasso das cenas com Michael Caine é latente. Bale não é o Batman definitivo, mas Caine é e será o melhor Alfred de todos os tempos.

A boa notícia nisso tudo? Os fãs de quadrinhos irão adorar. Os fãs de Batman irão ao delírio. E claro, o filme tem Anne Hathaway com roupas de couro. Não é genial, mas vale o ingresso.