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Poker na Mesa

por Pedro Nogueira

Notícias, análises e histórias do mundo das cartas



No pôquer de Hollywood, Tobey Maguire é o justiceiro injustiçado

Ele ganhou mais de US$ 300 mil na mesa de um fraudador financeiro

Assim como no cinema, o ator Tobey Maguire (Homem-Aranha I, II e III) foi uma espécie de justiceiro numa roda de pôquer hollywoodiana. Maguire ganhou mais de US$ 300 mil nas cartas do golpista Bradley Ruderman, que fraudou milhões de dólares de investidores privados com um Esquema Ponzi.

(O Esquema Ponzi funciona, mais ou menos, assim: você arrecada US$ 1 000 de um investidor prometendo devolver US$ 2 000 no mês seguinte. Aí pega US$ 4 000 de um segundo investidor e, com seu dinheiro, paga o primeiro. Vai assim por diante, até que a bolha estoura. Ou seja: a polícia pega o golpista ou ele some para as Bahamas.)

No caso de Ruderman, ele não teve tempo de fugir. Os federais o prenderam em 2009 e, no ano seguinte, ele foi condenado a 10 anos de prisão. Durante as investigações, descobriu-se que Ruderman perdera US$ 5,2 milhões num high stakes underground contra estrelas de Hollywood. Das quais, segundo o vigarista, Maguire era o grande chacal: “Tobey Maguire é o melhor jogador e o maior ganhador da turma”, disse ele durante a confissão.

Outros que passaram pela mesa de Ruderman foram os atores Leonardo DiCaprio, Ben Affleck, Matt Damon, Nick Cassavetes, Gabe Kaplan, o ex-namorado de Paris Hilton Rick Salomon, o produtor musical Cody Leibel e o astro do beisebol Alex Rodriguez.

Mas os 22 investidores fraudados por Ruderman, em vez de ficarem agradecidos pela lição que o golpista tomou na mesa, entraram na justiça alegando que a verba usada para pagar as dívidas era na verdade deles. Resultado? Processaram os jogadores que, assim como Maguire, ganharam dinheiro honestamente no pano.

Como na Califórnia é proibido promover pôquer fora de um clube regularizado, as celebridades decidiram entrar em um acordo com os investidores, para evitar maiores investigações e uma exposição midiática. Juntos, eles devolveram US$ 1,75 milhão (puxados legitimamente no Texas Hold’em) aos antigos donos do dinheiro.

E nem receberam um “obrigado” pela lição aplicada a Ruderman. Os justiceiros, quem diria, desta vez foram injustiçados.


Brasil, a 4ª maior potência do pôquer online?

Alexandre Gomes já faturou US$ 287 mil no SCOOP '12

Não é segredo que o Brasil já é uma das maiores potências do pôquer – tanto no jogo ao vivo quanto no online. Aqui mesmo neste blog da Alfa escrevi, seis meses atrás, que o país cravara o 7º lugar geral da World Series of Poker (WSOP) e a 9ª colocação no World Championship of Online Poker (WCOOP).

E, com a mesma rapidez que o Brasil galopou para o top 10 do ranking, está agora brigando por um lugar no pódio.

Começou no PokerStars, no último dia 6, o Spring Championship of Online Poker (SCOOP), que só perde em relevância para o WCOOP. E, em algumas estatísticas da série, que vai até o dia 20, o Brasil está entre os cinco melhores países.

Comecemos pelo curitibano Alexandre Gomes, que em 2008 foi o primeiro brasileiro a ganhar um bracelete da WSOP (US$ 770 mil) e em 2009 uma etapa do World Poker Tour (US$ 1,2 milhão). Ele, que joga sob o apelido de “Allingomes”, é por enquanto o 2º jogador do mundo com maior faturamento na edição de 2012 do SCOOP, com US$ 287 mil. Alê Gomes só perde para o sueco Viktor “Isildur1” Blom, um fenômeno do pôquer online, com US$ 429 mil.

Quando o assunto é eventos vencidos por cada país, o Brasil está na 4ª posição, com três deles. À nossa frente, só potências tradicionais das cartas como Canadá, Reino Unido e Alemanha. (Nos Estados Unidos, o pôquer online está bloqueado atualmente. Daí sua ausência.) E faltando seis dias para a série terminar, já tivemos tantos títulos quanto nas suas últimas três edições (2009, 10 e 11) somadas.

No total de dinheiro faturado, estamos em 8º. O que, apesar de não ser excepcional, é certamente um progresso em relação à nossa 9ª colocação no SCOOP de 2011. E podemos facilmente ultrapassar roubar o lugar da Espanha, que tem US$ 965 mil contra US$ 956 mil nossos. Agora, se computados apenas os torneios com inscrição alta (o SCOOP tem eventos de buy-ins altos, médios e baixos), ficamos em 5º.

Em dezembro de 2010, eu perguntava neste blog se estávamos vendo o Brasil se tornar uma potência do pôquer mundial. A resposta, o tempo mostrou, é “sim”.


Projeto pode colocar brasileiro em torneio com buy-in de US$ 1 milhão

A inscrição do The Big One for One Drop

Las Vegas receberá, este ano, o torneio mais caro da história do pôquer. Sua inscrição? Um milhão de dólares. E, acredite, é possível que algum brasileiro esteja no field.

O jogador Edu Sequela, dono do site de notícias MeBeliska, lançou dois dias atrás um projeto que pretende transformar isso em realidade. Sua ideia é juntar um grupo de 25 jogadores/investidores, cada um colocando US$ 1 012, para inscrever alguém no satélite de US$ 25 300 do torneio.

“Quando o grupo estiver fechado, faremos um sorteio entre os 25 para definir o nosso representante em Vegas”, disse Sequela a Alfa. “Mas se o vencedor preferir, ele pode indicar outro jogador do grupo para o seu lugar.”

O The Big One For One Drop, que começa dia 1 de julho, será promovido pela World Series of Poker (WSOP), a mais importante série do carteado mundial. Como o seu nome sugere, uma parcela de sua premiação – mais exatamente 11,11% – será destinada a fundação One Drop, cujo foco é promover o acesso a água potável no planeta.

Segundo o site da WSOP, 30 jogadores já estão confirmados. A premiação garantida é de US$ 26,6 milhões, dos quais US$ 12 milhões vão para o vencedor. “Um dos motivos que me levou a criar esse projeto é que o nível de vários milionários inscritos no torneio não é muito forte”, afirma Sequela. Um deles é o dono do Cirque du Soleil, Guy Laliberté, maior perdedor da história do pôquer online. “Além disso, ter um representante brasileiro nele traria uma repercussão bem favorável ao jogo aqui no país. E ainda estaríamos ajudando uma causa bacana.”

Das 25 cotas, Sequela diz que 22 foram vendidas em apenas dois dias. (Cada jogador pode comprar mais de uma.) Caso elas cheguem a 50, um segundo brasileiro será enviado a Vegas. “Se o representante entrar na premiação, ele vai ganhar 0,2% de bônus de cada investidor”, diz Sequela. Como o Big One For One Drop terá no máximo 48 participantes, a premiação total pode alcançar US$ 40 milhões, com US$ 17,2 milhões para o campeão. Neste caso, cada cotista do projeto receberia US$ 685 mil – um retorno na faixa de modestos 60 000%.

“O satélite vai ser dureza, cheio de profissional top”, prevê Sequela. “Mas apesar de o pôquer ser um esporte de habilidade, num único torneio a sorte pode ajudar muito. Quando chegar a hora do sorteio, então, vou torcer para cair alguém bem largo! [risos] E isso é um negócio que não falta em nosso grupo. Definitivamente!”

(Se você ficou interessado, entre no blog do Sequela ou escreva para ele no email sequela@mebeliska.com.br)


Amarillo Slim (1928-2012)

Nessa manhã de segunda-feira, todos os jogadores de pôquer acordaram órfãos. Uma das maiores lendas do jogo, Thomas “Amarillo Slim” Preston, morreu ontem aos 83 anos, após uma batalha contra um câncer no cólon.

O “Magrelo de Amarillo”, na verdade nascido na pequena cidade rural de Johnson, no Arkansas, foi talvez o mais famoso jogador de pôquer do século XX, antes do boom do Texas Hold’em. Com sua personalidade extravagante, Slim ganhou notoriedade após conquistar a World Series of Poker (WSOP) de 1972. Ao tornar-se campeão mundial de pôquer, ele recebeu um convite para ir ao The Tonight Show, um dos mais populares programas da televisão americana, onde acabaria fazendo 11 participações ao longo da vida. Pode-se dizer que, de todas as celebridades das cartas, Slim foi o primeiro realmente mainstream.

“Se alguma coisa for alvo de controvérsia, eu aposto nela ou me calo”, diz Slim em suas memórias, cujo prefácio da edição brasileira tive o prazer de escrever. O livro chama-se O Grande Malandro; em inglês saiu como Amarillo Slim in a World Full of Fat People. “E como discutir não é lá coisa de cowboy, já fiz várias apostas nessa vida. Mas quer saber, parceiro, em minha humilde opinião, eu não sou um apostador qualquer. Nunca saio em busca de um trouxa. Eu procuro um vencedor e faço dele um trouxa…”

Slim não exagerava quando afirmou isso. Em sua carreira de apostador, ele derrotou campeões mundiais na mesa de ping-pong; atletas profissionais no salto em distância; jogadores de basquete no arremesso livre; e até mesmo cavalos em corridas de 100 metros rasos. Como? Na malandragem. As partidas de ping-pong, por exemplo, eram jogadas com panelas no lugar das raquetes; e no arremesso livre, uma bola de futebol americano substituía a tradicional de basquete.

A morte de Slim lembrou-me de certa passagem numa história do escritor Isaac Bashevis Singer. O personagem principal, em ex-ator decadente e com problemas de saúde, diz o seguinte a um amigo: “Todos nós jogados xadrez contra o destino. Ele mexe uma peça, nós mexemos outra. Ele tenta no dar um xeque-mate em três lances, nós tentamos impedir. Nós sabemos que não podemos ganhar dele, mas o que nos move na vida é dar a ele uma boa briga.”

Slim, por 83 anos, deu.

Mas ontem, o river bateu para o destino.


Sinal de vida no Full Tilt Poker

Ensaiando um retorno?

Boa notícia, senhores: o Full Tilt Poker deu, ontem, o seu primeiro sinal de vida desde que saiu do ar em junho de 2011. Segundo relatos, durante alguns momentos do dia o status do site ficou verde e exibiu a mensagem “todos os sistemas estão funcionando corretamente”. Os jogadores ainda não estão conseguindo entrar em suas contas, mas alguns receberam um pedido para atualizar o software da versão pré-Black Friday para uma nova. O que significa que, em breve, é possível que o Full Tilt esteja no ar novamente.

De acordo com o PokerFuse.com, o empresário Laurent Tapie, do Group Bernard Tapie, foi apontado como diretor e secretário de uma nova companhia registrada agora em abril na Irlanda: a New Full Tilt Limited. Ou seja, o grupo francês parece ter concretizado a compra do site. Uma ótima notícia, como já foi dito acima, para nós. Especialmente para aqueles que, como este jornalista aqui, possuem alguns dólares congelados no Full Tilt!


Ganhadores & Perdedores pós-Black Friday

A Black Friday não atrapalhou os negócios de Jens "Jeans89" Kyllönen: o finlandês já ganhou US$ 2,3 milhões no PokerStars desde então

A Black Friday fez, ontem, seu aniversário de um ano.

(Se você nunca ouviu falar nela, provavelmente começou a jogar pôquer depois desse dia trágico. O que aconteceu foi o seguinte: em 15 de abril do ano passado, a justiça americana bloqueou o acesso aos principais sites de pôquer no país, alegando sonegação de imposto e outros crimes financeiros. O PokerStars se recuperou do golpe e, hoje, está firme. Já o AbsolutePoker e o Full Tilt Poker fecharam, deixando uma dúvida imensa com seus jogadores.)

Enfim.

Para “comemorar” a data, o HighStakesDB (HSDB) examinou quem foram os maiores ganhadores – e  perdedores – do pôquer online desde aquele dia. Com a Black Friday, houve uma desaceleração nas mesas de high stakes. O motivo? Os jogos mais caros aconteciam no Full Tilt, em partidas de até 1000/2000 dólares. No PokerStars, para onde todos os jogadores migraram com a falência do rival, os maiores jogos são de 200/400 dólares.

Esses blinds reduzidos, porém, não impediram que alguns jogadores fizessem uma verdadeira fortuna nesse último ano. Que diga o finlandês Jens “Jeans89″ Kyllönen, de 22 anos, que lucrou 2,3 milhões de dólares no período. Há outros que conseguiram bons placares, como Viktor “Isildur1” Blom (1,6 milhões) e Ilari “Ilari FIN” Sahamies (1,8 milhões). Do lado vermelho da lista, o líder é o canadense ”Zypherin”, com um prejuízo de 2 milhões. Seu nome real? Ninguém tem certeza, mas há fortes suspeitas de que seja o bilionário Guy Laliberté, dono do Cirque du Soleil.

Confira abaixo quem foram os cinco jogadores que mais ganharam (ou perderam) no PokerStars desde a Black Friday.

Ganhadores
1. Jens “Jeans89” Kyllönen – US$ 2 380 708
2. Ilari “Ilari FIN” Sahamies – US$ 1 781 563
3. Alexander “Kanu7” Millar – US$ 1 691 746
4. Ronny “1-ronnyr3″ Kaiser – US$ 1 681 264
5. Viktor “Isildur1” Blom – US$ 1 591 137

Perdedores
1. “Zypherin” – US$ 1 997 509 (provavelmente Guy Laliberté)
2. “Fake Love888” – US$ 1 211 982 (há suspeitas de que é Patrik Antonius)
3. “VietRussian” – US$ 1 145 742 (Scott Palmer? Talvez)
4. Gavin “gavz101″ Cochrane – US$ 1 116 995
5. “nasud 11” – US$ 828 511 (algum multimilionário checo)


As lições que “Isildur1” ensina

Viktor Blom: tubarão no heads up, peixinho nas mesas cheias

E sai hoje a notícia de que Viktor Blom, o “Isildur1”, ganhou uma partida de US$ 1 milhão contra Isaac “philivey2694″ Haxton.

Os dois jogadores se enfrentavam, desde sábado, numa edição especial do SuperStars Showdon, um desafio no qual Blom encara outras estrelas do high stakes online no mano a mano. Normalmente, o jogo é fechado em 2 500 mãos, com cacifes de US$ 150 mil por cabeça.

Desta vez, no entanto, Blom e Haxton levaram US$ 500 mil cada um para a mesa – e o duelo só terminou quando um deles ficou com todo o dinheiro. O famoso freezeout, como os profissionais chamam esse tipo de disputa.

Blom mostrou, com essa nova vitória, porque é considerado por muitos o melhor jogador de heads up do mundo. Nas 14 edições do SuperStars Showdon, ele teve 11 vitórias e apenas três derrotas. Destas, uma foi de US$ 26 mil para o canadense Daniel Negreanu; só que antes ele ganhara US$ 150 mil do mesmo Negreanu. Nas outras duas ocasiões, Blom perdeu para Haxton e, juntas, elas deram um prejuízo de US$ 47 mil a ele. Uma quantia insignificante, de fato, perto dos US$ 500 mil que lucrou ontem.

Ainda assim, Blom, um sueco de 21 anos, acumula no PokerStars um saldo negativo de US$ 1,3 milhão, segundo dados do Poker Table Ratings.

Como um jogador de seu gabarito, talvez o homem mais talentoso que apareceu nos pôquer nos últimos tempos, pode estar num buraco de sete dígitos?

Ok, não é segredo que o jogo de Blom é extremamente volátil. Ele é agressivo, ele é solto – e ele aposta pesado. Blom esteve presente em todos os 10 maiores potes da história do pôquer online. Chegou a ganhar US$ 5 milhões em uma semana – e a perder tudo na semana seguinte. Ainda assim, espera-se que um gênio das cartas (não é exagero usar o adjetivo “gênio” em seu caso) esteja para frente no longo prazo.

Acontece que, no pôquer atual, em que diversas modalidades de jogo estão disponíveis na internet, você pode ser o tubarão numa – e o peixinho na outra.

É o caso de Blom. Em mesas de heads up, ele está com US$ 1,5 milhão de lucro. Já em partidas short handed, com seis jogadores à mesa, seu prejuízo bate nos US$ 3,5 milhões. Aquela mesma agressividade que enlouquece seus adversários no heads up faz dele, em mesas cheias, uma vítima fácil. O maior jogador brasileiro de high stakes, Gabriel Goffi, já afirmou que Bloom é “um sonho” nesse tipo de situação.

Das curvas da conta bancária de Blom, fica a lição: procure algo em que você é bom.

E, quando achar, fique lá. Porque seus adversários estarão torcendo para você sair.

O (volátil) gráfico de Blom no PokerStars


Quando o circo pega fogo

Guy Laliberté está engordando a carteira de seus adversários no pôquer online

Ao que tudo indica, o bilionário canadense Guy Laliberté, dono do Cirque du Soleil, está de volta ao high stakes da internet.

E perdendo alto, como de costume.

Nos últimos meses, um misterioso homem sob o apelido de “Zypherin” vem engordando a carteiro dos regulares do PokerStars. Em um só dia, ele chegou a queimar 175 mil dólares, segundo o site de estatísticas Poker Table Ratings; e desde que a conta foi criada, o prejuízo já alcança 2,2 milhões de dólares.

Até agora, ninguém assumiu a identidade de “Zypherin”; e o PokerStars também não revelou seu nome (tampouco revelará, pois é contra os termos de privacidade do site).

Mas, entre a comunidade do pôquer, há quase um consenso: trata-se de Laliberté.

Indícios não faltam.

Primeiro, “Zypherin” precisa ser extremamente abastado para ter tanto dinheiro para perder – o que Laliberté, um dos 500 homens mais ricos do mundo, com a fortuna estimada em US$ 2,6 bilhões, é.

Segundo, ele tem que ser um verdadeiro pato na mesa de pôquer – algo que Laliberté, em suas aparições no programa televisivo High Stakes Poker (veja o vídeo abaixo) também já provou ser.

Terceiro, o jogador de high stakes Martin “alexeimartov” Bradstreet afirmou numa entrevista que, sem dúvida, “Zypherin” era Laliberté.

Algumas pessoas suspeitam que, na verdade, o homem por trás da conta é o banqueiro Andy Beal. Em comum a Laliberté, Beal tem a paixão pelo pôquer e o dinheiro para apostar pesado. Mas, diferente dele, é um bom jogador. Tão bom que, numa de suas passagens por Vegas, quase quebrou Doyle Brunson, Chip Reese e outros jogadores de alto calibre.

Laliberté já perdeu uma cifra estimada em mais de US$ 15 milhões no Full Tilt Poker, que antes da Black Friday, era o ponto de encontro dos maiores high rollers da internet. Para chegar a esse prejuízo todo, ele teria usada as contas “patatino”, “elmariachimacho” e “lady marmelade”.

Uma breve análise no estilo de jogo das quatro contas indica que, realmente, pertencem ao mesmo homem: todas têm um índice baixíssimo de agressividade, combinado a um alto nível de “looseness”. Em outras palavras, aposta pouco e paga muito. Exatamente o contrário do que manda a cartilha dos vencedores do pôquer.

O circo de Laliberté está pegando fogo no PokerStars.

Mas, enquanto ele tiver um outro circo, o du Soleil, que fatura mais de US$ 850 milhões por ano, isso definitivamente não vai tirar o seu sono. Apenas proporcionar alguns bons sonhos a seus adversários.


Saindo da rotina: o pôquer mixado do Espaço Zahle

O Pineapple ("pôquer do abacaxi) é uma das modalidades do torneio

O que seria um torneio de Mixed Hold’em?

Essa foi a pergunta que fiz para mim quando recebi o convite de Gabriel Otranto (aquele mesmo Gabriel Otranto que, em dezembro, ganhou R$ 370 mil num único domingo no PokerStars) para jogar uma série de torneios que ele está promovendo todas as terças.

Até onde eu sabia, Mixed Hold’em era um tipo de jogo no qual Pot Limit, No Limit e Limit Hold’em se revezavam a cada volta. No convite de Gabriel Otranto, porém, liam-se as seguintes informações: “Position Pôquer, River Aberto, River Fechado e Pineapple Pôquer. Cara semana uma modalidade diferente.”

Fiquei curioso – e fui conversar com Otranto sobre o assunto.

“A ideia é sair um pouco da rotina do Hold’em e do Omaha sem cair na monotonia dos jogos de limite”, diz Otranto para mim. “Essas novas modalidades têm mudanças simples nas regras, mas que causam um impacto significativo na dinâmica do jogo. Isso obriga os competidores a repensarem em suas estratégias.”

Otranto me explicou as regras de cada modalidade:

Position Pôquer
O vencedor do pote ganha, também, o botão do dealer. Assim, é possível que um mesmo jogador pague o blind várias vezes consecutivas, caso o parceiro à sua direita puxe muitas mãos.

River Aberto
Na última carta, o dealer bate um river para cada jogador. A carta fica exposta, mas não é comunitária, como no Hold’em tradicional. Na teoria é possível, então, dois jogadores fazerem um Royal Straight Flush na mesma mão.

River Fechado
Igual ao River Aberto, com a diferença que o river de cada participante vem fechado (o jogador pode mistura-lo com suas duas cartas pessoais).

Pineapple Pôquer
Antes do flop, cada jogador recebe três cartas e descarta uma. A partir desse momento, vira Texas Hold’em normal.

“A cada semana será jogada uma modalidade diferente”, diz Otranto para mim. “Já temos 12 etapas confirmadas e, possivelmente, novas modalidades serão incluídas.” Os torneios estão acontecendo às terças, a partir das 20h30 no Espaço Zahle, um dos melhores clubes de pôquer de São Paulo (ele fica na Rua Osório Duque Estrada, 40, próximo à avenida Brigadeiro Luis Antonio). A inscrição custa R$ 600,00.

Sua edição de estreia, ontem, reuniu um field estrelado: a mesa final contou com André Akkari, Will Arruda, Vini Marques, Norson Soho, Dani Zapiello, José Irineu, Sérgio Penha, Gabriel Otranto e Fernando Muniz (que ficou com o título).

Merece aplausos a ideia de Otranto: clap, clap, clap. O Texas Hold’em tradicional e o Omaha são, sem dúvida, modalidades incríveis e muito divertidas – ou como explicar a sua explosão de popularidade no Brasil e no mundo? Mas a introdução de modalidades diferentes no pôquer é algo que, definitivamente, trará mais graça e entretenimento ao jogo.

Vini Marques, com seu protetor de cartas discreto, foi vice na edição de estreia do torneio


All In – O Filme do Pôquer

E finalmente estreou, depois de quatro anos de produção, o documentário All In – The Poker Movie. O filme fala sobre a renascença do pôquer — um dos jogos mais antigos dos Estados Unidos – nas últimas décadas. Com o devido destaque, é claro, para os dois fatores que impulsionaram a sua popularização: o longa Cartas na Mesa (de 1998, com Matt Damon, Edward Norton e John Malkovich) e a vitória de Chris Moneymaker, um amador, na WSOP de 2003, a copa do mundo da categoria.

Vi o trailer e me interessei.

Não dava para ser diferente. O elenco sozinho já é o suficiente para atrair qualquer jogador do pôquer ao cinema: estão no filme Daniel Negreanu, Phil Hellmuth e Amarillo Slim, para ficar só em alguns nomes. Para nós, os habitantes do pano, All In – The Poker Movie é algo como Os Mercenários (com Stallone, Bruce Willis e companhia) para os fãs de ação. Estrelado.

Por enquanto, o documentário só está passando em alguns cinemas de Nova York. Depois, será aberto em outras salas do país. No Brasil, não há previsão de estreia.

Mas.

Mas a partir do dia 24 de abril, o filme estará disponível para download em seu site oficial, por US$ 14,99 (cerca de R$ 28,00).

“Teria sido mais fácil ir para a WSOP e fazer todas essas entrevistas de uma só vez”, disse o diretor Douglas Tirola, questionado sobre a demorada produção de quatro anos, em entrevista ao site da ESPN. “Mas queríamos visitar as casas e as cidades dos jogadores para mostrar ao público como o pôquer se difundiu no país.”

O tema (pôquer) e o elenco (estrelado como um high stakes do Bellagio) seriam mais do que o suficiente, como eu já disse acima, para me deixar com vontade de assistir ao filme. Mas não bastassem eles, o documentário conta ainda com a ilustre presença de Howard Lederer, talvez o maior vilão do pôquer moderno, um dos responsáveis pela falência do site Full Tilt Poker.

Será curioso observar o cinismo de Lederer, tranquilamente falando sobre assuntos cotidianos – enquanto uma bolha crescia num Full Tilt Poker sob a sua direção, que resultaria no calote de milhares de jogadores do mundo inteiro.

Howard Lederer, talvez o maior vilão do pôquer moderno, também está no filme