Entre ‘Rio’ e ‘Tropa de Elite’
Imagine que você é um dos votantes da Academia e, em uma possibilidade remota, tem a chance de escolher a melhor animação e o melhor filme estrangeiro. De repente, vai se ver com duas facetas diferentes da mesma cidade, com o desenho Rio e o drama policial Tropa de Elite 2, anunciado hoje como nosso representante no Oscar. São duas obras indubitavelmente muito boas, mas que mostram duas facetas da mesma cidade. Rio é o Rio de Janeiro que há décadas encanta brasileiros e estrangeiros e que ganhou o direito de sediar uma Olimpíada. Tropa 2 é o lado ruim desta mesma cidade (e também do Brasil todo, diga-se de passagem). Se pegarmos um dos significados da palavra ‘representar’, Tropa de Elite 2 com certeza SIMBOLIZA o Brasil atual, mais do que um filme sobre uma prostituta que deu certo ou sobre um assalto que também deu certo ou sobre um enganador que quase deu certo ou até mesmo a respeito de uma família que quer que sua filha engravide um famoso para assim, dar certo. Tropa de Elite 2 é o Brasil que pode dar (mais) certo, se resolver os problemas de corrupção e desmandos politicos.
Tropa de Elite 2 mostra o lado podre e corrupto da vida tupiniquim, mas ainda assim procura exaltar as qualidades daqueles que tentam, a todo custo, manter a integridade e os princípios morais. O Coronel Nascimento é o legítimo herói brasileiro em sua busca por justiça e cumprimento das leis. Hoje, mais do que nunca, ele representa aquilo que mais queremos: o fim da corrupção e os direitos dos cidadãos preservados.
Ideologias à parte, é de se respeitar a decisão da comissão que escolheu o filme já que a obra de José Padilha é de um primor técnico raramente vistos no cinema nacional, rivalizando com Cidade de Deus (esse sim, um grande injustiçado do Oscar) e com a primeira parte da saga do policial. A história cativante, as interpretações marcantes de Wagner Moura e de todos os coadjuvantes e as cenas de ação de Tropa 2, o fizeram o filme de maior bilheteria no Brasil (bateu Avatar e faturou mais de R$ 102 milhões) e o de maior número de espectadores da história (mais de 10 milhões de pessoas o assistiram no cinema).
A pergunta que fica no final é: “seria Tropa de Elite 2 um filme para Oscar”? A mesma academia que premiou homens íntegros em suas lutas contra o sistema com Sindicato de Ladrões ou Gladiador e já considerou que a violência bem trabalhada como em O Poderoso Chefão, Platoon ou Guerra ao Terror tinha seus méritos, vai entender esse filme e especialmente essa faceta do Brasil? Ou será que o que o estrangeiro quer mesmo é o Rio de Rio? Em janeiro saberemos.










1 comentário
Claro que o estrangeiro quer um Rio como o do desenho, mas eles reconhecem o problema da violência e corrupção no Brasil. Pelo menos todas as pessoas com quem eu conversei que são de outros países já me questionaram sobre isso. Eu sinceramente torço muito por Tropa de Elite II, não só pelo tema quanto pela produção em si que pra mim foi de primeira. Vamos aguardar!