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Cinema: o bom, o mau e o cool

por Claudio Pucci

Cinema clássico para homens de respeito. Os filmes, as musas, os ícones e as cenas que fizeram a cabeça de gerações e ditaram padrões de masculinidade



Entre ‘Rio’ e ‘Tropa de Elite’

Imagine que você é um dos votantes da Academia e, em uma possibilidade remota, tem a chance de escolher a melhor animação e o melhor filme estrangeiro. De repente, vai se ver com duas facetas diferentes da mesma cidade, com o desenho Rio e o drama policial Tropa de Elite 2, anunciado hoje como nosso representante no Oscar. São duas obras indubitavelmente muito boas, mas que mostram duas facetas da mesma cidade. Rio é o Rio de Janeiro que há décadas encanta brasileiros e estrangeiros e que ganhou o direito de sediar uma Olimpíada. Tropa 2 é o lado ruim desta mesma cidade (e também do Brasil todo, diga-se de passagem). Se pegarmos um dos significados da palavra ‘representar’, Tropa de Elite 2 com certeza SIMBOLIZA o Brasil atual, mais do que um filme sobre uma prostituta que deu certo ou sobre um assalto que também deu certo ou sobre um enganador que quase deu certo ou até mesmo a respeito de uma família que quer que sua filha engravide um famoso para assim, dar certo. Tropa de Elite 2 é o Brasil que pode dar (mais) certo, se resolver os problemas de corrupção e desmandos politicos.

Tropa de Elite 2 mostra o lado podre e corrupto da vida tupiniquim, mas ainda assim procura exaltar as qualidades daqueles que tentam, a todo custo, manter a integridade e os princípios morais. O Coronel Nascimento é o legítimo herói brasileiro em sua busca por justiça e cumprimento das leis. Hoje, mais do que nunca, ele representa aquilo que mais queremos: o fim da corrupção e os direitos dos cidadãos preservados.

Ideologias à parte, é de se respeitar a decisão da comissão que escolheu o filme já que a obra de José Padilha é de um primor técnico raramente vistos no cinema nacional, rivalizando com Cidade de Deus (esse sim, um grande injustiçado do Oscar) e com a primeira parte da saga do policial. A história cativante, as interpretações marcantes de Wagner Moura e de todos os coadjuvantes e as cenas de ação de Tropa 2, o fizeram o filme de maior bilheteria no Brasil (bateu Avatar e faturou mais de R$ 102 milhões) e o de maior número de espectadores da história (mais de 10 milhões de pessoas o assistiram no cinema).

A pergunta que fica no final é: “seria Tropa de Elite 2 um filme para Oscar”? A mesma academia que premiou homens íntegros em suas lutas contra o sistema com Sindicato de Ladrões ou Gladiador e já considerou que a violência bem trabalhada como em O Poderoso Chefão, Platoon ou Guerra ao Terror tinha seus méritos, vai entender esse filme e especialmente essa faceta do Brasil? Ou será que o que o estrangeiro quer mesmo é o Rio de Rio? Em janeiro saberemos.


Santos aniversários, Adam West faz 83 anos

Vou abrir uma exceção aqui no blog sobre cinema para falar de um cara que viu a glória e a desgraça de se tornar um ícone da TV. Adam West, o bom e eterno Batman gordo completa 83 anos de idade hoje, 19 de setembro. O homem que se tornou um dos maiores nomes da cultura pop do século 20, nunca conseguiu escapar da imagem do Homem-morcego e do mesmo jeito que viu seu nome ir para os píncaros da fama, enfrentou um ostracismo terrível em sua carreira.

West era um ator de pequenos papéis no cinema e chamou a atenção dos produtores e criadores do seriado do Batman depois de estrelar uma série de comerciais do achocolatado Quik da Nestlé, fazendo o Captain Q, um espião à la James Bond.

A série estreou em 12 de janeiro de 1966 e logo se tornou um hit televisivo. Em pouco tempo, atores e celebridades brigavam pela oportunidade de ser vilão ou convidado especial de algum episódio porque isso dava status e, para muitos como Van Johnson e Vincent Price, significou uma retomada em suas carreiras, então estacionadas.

O sucesso e a avalanche de entrevistas, fotos e produtos com seu rosto tornou Adam West um superstar, mas acabou com seu segundo casamento com a havaiana Ngahra Frisbie já que a moça não aguentava o assédio que rolava em cima do marido. O engraçado é que, em um programa especial para canal E, West declarou que imagem de bom moço vinda do personagem causava desconforto nas mulheres. Contou, em meio a muitas risadas, que uma vez chegou a ir a uma festa “quente” no fim dos anos 60 com Frank Gorshin (o Charada da série) e lá pelas tantas a coisa descanbou em uma orgia. Mas nenhuma mulher queria ficar com ele, afirmando que não se sentiriam bem transando com o Batman.

Quando o seriado foi cancelado em 1966, depois de três temporadas e um filme para o cinema, West se viu sem convites para atuar porque sua imagem estava totalmente atrelada ao do personagem dos quadrinhos. Em 1970, Cubby Broccoli, produtor dos filmes de 007, chegou a oferecer a West a chance de ser James Bond depois que Connery se despediu de vez do agente secreto com Os Diamantes são Eternos. Adam fez a bobagem de recusar pois acreditava que Bond só deveria ser interpretado por ingleses (isso porque não lembrou que George Lazenby de A Serviço de Sua Majestade era australiano).

Por anos , ele apareceu em produções duvidosas e de baixo orçamento e em alguns seriados de TV. Voltou ao Batman como dublador do personagem nas animações dos anos 1970, inclusive no icônico Superamigos. Depois, o desenho animado de Batman da década de 1990 prestou-lhe uma homenagem quando o colocou como dublador do Fantasma Cinzento, um personagem de uma série que inspirava Bruce Wayne quando criança e cujo ator caiu no ostracismo depois que o seriado foi cancelado. Em 2003, ele e Burt Ward, o Robin, participaram de um filme chamado Return to the Batcave: The Misadventures of Adam and Burt junto com alguns atores da série original.

Mesmo com muitas homenagens e aparições especiais, West nunca mais viu o sucesso de novo. Hoje, ele até está mais conhecido por dublar o prefeito Adam West do desenho politicamente incorreto (e genial), Family Guy. De qualquer maneira, para muitas gerações ele será eternamente o cara que fez com o PLOC! BANG! WHAMM! não só fizessem sentido, como fosse algo muito transado!


Oliver Stone, 65 anos de polêmica

O diretor e roteirista Oliver Stone completou 65 anos ontem, 15 de setembro. Stone é um desses caras muito interessantes que criaram uma persona diferenciada, atrelando seu nome à polêmica. Ninguém pode negar porém, que o homem tem uma capacidade fantástica de transformar seus fantasmas autobiográficos em ótimos filmes.

Explicando melhor, sua experiência como professor e depois soldado no Vietnã o levaram a fazer um dos mais contundentes filmes de guerra da história do cinema, Platoon que ganhou quatro Oscars (melhor direção, inclusive) e inaugurou sua trilogia vietinamita, seguido de Nascido a 4 de Julho (dois Oscars) e Entre o Céu e a Terra. Depois, seu mergulho nas drogas o inspirou no roteiro de Scarface, a célebre refilmagem do clássico de gangster e também deu o tom de algumas cenas de Assassinos por Natureza. E mais, como trabalhava no mercado financeiro francês nas suas férias, quando adolescente, Stone criticou a ganância e a busca pela riqueza em Wall Street – Poder e Cobiça e voltou ao tema 23 anos depois com Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme, aproveitando da quebradeira geral da economia em 2008.

Outro detalhe interessante sobre Stone é a sua mania de fazer biografias, mas de sua maneira. Primeiro mostrou a vida de Jim Morrison em The Doors (onde Val Kilmer parece ter incorporado o cantor em alguma sessão espírita), mas desprezou todas as entrevistas que fez com integrantes do grupo e com a ex-mulher de Morrison e apresentou a sua versão dos fatos. Louco por uma teoria da conspiração fez JFK, um filme com uma edição fantástica e revolucionária (chegou até a ser zombado em Seinfeld), sobre a investigação em cima da morte do mais popular presidente americano. Sobram culpados para tudo quanto é lado. Fez ainda Nixon (com um terrível Anthony Hopkins no papel-título) e W., uma estranha e até mesmo enaltecedora biografia de George W. Bush que, por mais que foque fatos polêmicos na vida do cara, acaba o mostrando como um vencedor e homem de princípios (como assim, Georgie Boy dando bronca no seu time de assessores porque “o enganaram” a respeito das armas de destruição em massa iraquianas?).

Do lado mais comercial, assinou o péssimo Alexandre sobre o monarca macedônio, As Torres Gêmeas sobre o sacrifício de dois bombeiros nos ataques de 11 de setembro e o impressionante Um Domingo Qualquer com os bastidores de um time de futebol americano.

Mas é mesmo na polêmica que Oliver Stone faz a fama. De um tempo para cá resolveu, sabe-se lá porquê, apoiar e propagandear a revolução boliviariana de Hugo Chávez com Ao Sul da Fronteira, foi entrevistar Fidel Castro para o documentário Comandante e ainda tentou, em vão, falar com o pessoal das FARC. Além disso comprou briga com a comunidade judaica graças a críticas ferozes contra o que chamou de “dominação sionista da mídia e da política mundial”. Obviamente que teve de se retratar depois. Seu projeto mais barulhento porém, é  The Untold History of the United States (a história não contada dos Estados Unidos), uma megassérie de TV que mostrará a verdadeira e obscura história da América e suas relações com figuras controversas como Hitler, Stalin e Mao. Está prometido para o ano que vem (embora ele lute para realizá-lo desde 2009).

Enquanto isso, Stone está acabando de filmar Savages sobre dois plantadores de maconha que tem que enfrentar o cartel mexicano das drogas depois que sequestram sua namorada. Vindo dele, prepara-se para se chocar de alguma maneira.


A nudez e a nudez de Scarlett Johansson

Quando eu era adolescente ficava imensamente feliz quando a revista Playboy trazia a coletânea “Sexo no Cinema”, porque reunia duas coisas que eu sempre gostei: cinema e mulher bonita. Na época, começo da abertura no Brasil, eu babava de vontade de ver algumas daquelas cenas mostradas na revista. Alguns anos depois pude saciar parte da minha curiosidade em relação às atrizes brasileiras com as exibições de pornochanchadas no célebre programa “Sala Especial” e, obviamente, quando me tornei maior de idade e estava enfim liberado de entrar no cinema sem falsificar carteirinha de estudante. O lance todo é que essa fantasia em cima de celebridades nuas – especialmente atrizes – se mantém, apesar da idade avançar.

Daí a importância das fotos de Scarlett Johansson pelada (veja aqui). Para começar, por mim, é ela mesmo que está lá, deslumbrante. Depois que Scarlett é uma atriz que consegue despertar a libido de 90% dos homens com sua pele clara, decote generoso, voz sensual e cara de menina safadinha, mas que dá para apresentar para a mãe. Ela mesmo gosta de criar uma aura em cima de sua sensualidade como quando comentou que quis fazer uma cena de nu em sei lá que filme, e o diretor preferiu não filmar. E se você parar para pensar, o que faz uma atriz do naipe dela, que já fez Woody Allen cair de quatro, tirar fotos nuas com seu celular como uma teenager e as ver na internet depois que o aparelho foi roubado? Não parece armação?

Por ser “virgem” de nudez no cinema, a bela Scarlett ficou fora do ranking das 100 celebridades nuas que o site especializado Mr. Skin soltou no final de agosto. O Mr. Skin dedica-se somente a mostrar as celebridades como vieram ao mundo e há dois anos já haviam feito o ranking das melhores cenas de nudez no cinema (ganhou a gatíssima Phoebe Cates – com aquele jeito de namoradinha – mostrando os peitos em Picardias Estudantis) e agora listou as moças que mais aparecem nua, não obrigatoriamente nas telas.

Em primeiro lugar ficou La Jolie, porque na fase onde “ela ainda não era virgem”, parafraseando Groucho Marx, a moça chocava o mundo dentro e fora dos filmes e não tinha receio de mostrar a que veio em obras como Gia- Fama & Destruição ou mais recentemente no péssimo Pecado Original ao lado de Antonio Banderas. Em segundo lugar, temos a sem graça Alyssa Milano (que só gringo e nerd gostam), seguida da fantástica Halle Berry (que deu um show em  interpretação e nudez em A Última Ceia). Em quarto lugar está Pamela Anderson (mais pelos vídeos quentes com seu ex-marido do que péla suas habilidades interpretativas), seguida de perto de Helen Mirren. Sim, a hoje grande dama do cinema inglês já teve um tremendo corpão e adorava mostrá-lo a todo momento, até mesmo no clássico Excalibur, quando fez Morgana, a irmã do Rei Arthur.

Sras e Srs, Uschi Digard...

Do sexto ao décimo lugar vem Anne Hathaway, Mônica Bellucci (o que prova que americano é idiota mesmo em termos de escolha e não vê filmes estrangeiros, porque a italiana merecia estar em um dos cinco primeiros lugares), Pam Grier, Marisa Tomei (que sim, tem uma senhor corpo mesmo depois dos 40 como mostrado em Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto e O Lutador) e Penelope Cruz.

Das atrizes clássicas, Marilyn Monroe está na 15a. posição, Brigitte Bardot em 20o., a peituda Jayne Mansfield em 36o., Catherine Deneuve em 65o., Angie Dickinson em 75o., Jacqueline Bisset em 78o., Sylvia Kristel em 81, Joan Collins em 95o. e Ann Margret em 99o. Denise Richards está em centésimo lugar.

Existem ainda duas atrizes totalmente desconhecidas no ranking, mas que tem seu lugar ao sol na história do erotismo nas telonas. Em 25o. lugar está a sueca Uschi Digard que nos anos 1970 foi uma das musas do diretor trash Russ Meyer, um dos precurssores da nudez no cinema.

... e Laura Gemser!

E se Kristel representa a Emanuelle francesa, a atriz meio holandesa, meio indonésia, Laura Gemser (98a. posição) ganhou fama como a Emanuelle negra em uma série de filmes.

Você pode conferir o ranking completo aqui, mas lembro que o site Mr. Skin é pago e não permite a não-assinantes ver as cenas das atrizes escolhidas na lista (há, porém, um vídeo introdutório bem bacana).

E que Scarlett nos honre com sua presença na próxima escolha!


Darín, o ‘artilheiro’ da Argentina

Não adianta negar, a Argentina bate um bolão! Não estou falando aqui de futebol, mas sim do cinema dos amigos hermanos que, já faz um tempo, está dando um show de competência e técnica e, por mais que o cinema brazuca esteja tambem evoluindo, ainda está há anos-luz atrás de nossos vizinhos.

Um os grandes motivos para isso é um portenho de 54 anos de idade, filho de atores, que começou a trabalhar na TV aos 10 anos, foi ator de telenovelas e seriados cômicos, nunca abandonou o teatro e está nas produções argentinas de maior sucesso das telonas: Ricardo Darín. É ele que brilha em Um Conto Chinês, uma comédia fantástica que estreou na última sexta-feira. N0 filme, ele é Roberto, um homem amargo, metódico, solitário e mau humorado que, de repente, se vê cuidando de um chinês perdido em Buenos Aires e que não fala nenhuma palavra de espanhol. E é justamente a força de Darín e seu talento incrível de tornar palavrões como algo extremamente engraçado que fazem com que o filme se destaque entre as novas produções. Darín fala com os olhos, demonstra impaciência e desconforto, mas nunca descuida da nobreza de caráter de seu personagem. Por mais que ele seja muito desagradável, você se compadece de Roberto (e obviamente do chinês vivido por Ignacio Huang) e entende o que ele está passando eos sacrifícios internos que está enfrentando. Ao mesmo tempo, o filme nunca cai na comédia escrachada ou baixa. Na verdade, trata de vida e de destino e como lidamos com ela.

Um Conto Chinês também marcou a volta de Darín às comédias mesmo porque ele fez uma sólida carreira em dramas, como o excelente Nove Rainhas (2000), um dos melhores filmes sobre trapaceiros de todos os tempos. Mais uma vez o carisma do ator faz com que você não tenha total ojeriza de seu personagem, Marcos, um golpista que não hesita em tentar enganar nem mesmo aos irmãos. Nove Rainhas ganhou uma refilmagem americana, Criminal, que aqui ganhou o incrível título idiota de 171, mas não perca seu tempo e assista o original.

Em O Filho da Noiva de 2001, ele é Rafael, um cara estressado e workaholic que se vê num momento de revisão de vida, quando seu pai o ajuda a fazer uma cerimônia de casamento. O detalhe é que a noiva é sua mãe, acometida por Alzheimer. Você pode ter coração de pedra, mas tenho certeza que vai se emocionar com esse filme (apesar de nunca cair no piegas).

Em 2002, Darín apareceu em dois ótimos filmes. Em Kamtachtka, um garoto relembra de sua infância quando os pais estão em fuga, perseguidos pelo governo militar devido às suas convicções políticas e o pai (Darín) é um exemplo de resistência ao menino graças à maneira como joga “War”. Já em O Clube da Lua, o ator faz Ramón, que tenta a todo custo salvar um clube esportivo e social num bairro de Buenos Aires.

O grande trabalho de Darín é, sem dúvida, O Segredo dos seus Olhos. Terceira parceria com o diretor Juan Jose Campanella (que faz carreira nos EUA como diretor de seriados de TV como House e Law& Order), a obra ganhou, merecidamente, o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e é, de longe, uma das melhores produções feitas para as telonas. Incrivelmente bem escrito e interpretado, O Segredo dos seus Olhos consegue unir comédia com drama, suspense com policial, romance com política sem nunca perder o ritmo e tem ainda um dos travellings mais impressionantes já feitos no cinema na cena do estádio de futebol. E tem Darín.

Finalmente vale destacar Abutres (2010), drama pesado e impressionante sobre advogados ligados a uma “máfia” que defende vítimas de acidentes de trânsito junto a seguradoras, mas embolsam a maior parte da grana. É Darín que vai servir como divisor de águas na história, ao lado da bela atriz Martina Gusman. E, tem uma cena final de deixar qualquer um de queixo caído.

Para terminar, vale uma nota crítica sobre a tradução ruim na legenda de Um Conto Chinês. Não dá para entender porque algumas coisas foram “cortadas” pelo tradutor, como por exemplo, nas explosões de raiva de Roberto se perde o fato que o personagem adora xingar as pessoas de ‘pedazo de boludo’ ou ‘pedazo de pelotudo’ , traduzido simplesmente por ‘babaca’. Nem há explicação para toda a vez que ele solta um PQP, a legenda traz “bosta”. De qualquer maneira, vale prestar atenção às frases de Darín e rir se deu mau humor.

Quanto a saber se a Argentina é melhor que o Brasil no futebol, na quarta-feira que vem, a gente conversa.


Cinco “clássicos” do erotismo para o Dia do Sexo

Aparentemente hoje, 6/9 (é sugestivo) é Dia do Sexo (como se isso precisasse de dia certo) e em comemoração à efeméride vou listar cinco filmes eróticos que chocaram o mundo no seu lançamento e que depois perderam a força com a liberalidade dos tempos modernos. Foram filmes que fizeram um barulho danado justamente por tratar de sexo como parte integrante da vida de uma pessoa, mas não poupavam o realismo das cenas mais íntimas. O mais interessante é que eles romperam a linha entre a produção mainstream (que tinha cenas mais coreografadas e românticas) com a produção pornô. Ou seja, eles puseram o explícito no filme convencional, alguns com resultados duvidosos.

O Último Tango em Paris (1972): quando o filme foi mostrado em Nova York, um crítico disse que “aquele que não se sentir enojado, excitado, chocado, fascinado, revoltado ou encantado com as cenas do começo do filme, não se preocupe. Tem mais coisa por aí”. A história de uma relação entre uma jovem francesa e um americano de meia idade, baseada intergralmente em sexo, ainda causa sensação, quase 40 anos depois. O filme deu fama a Bernardo Bertolucci, acrescentou mais algumas bizarrices à biografia de Marlon Brando e destruiu a cabeça de Maria Schneider. E, depois dele, a margarina nunca mais foi a mesma.

Emmanuelle (1974): na verdade a personagem Emmanuelle Arsan já havia aparecido nas telas antes, mas foi a holandesa Sylvia Kristel que eternizou a dona de casa jovem e entediada que descobre um mundo de prazer e liberdade na Bangcock dos anos 70. O filme tinha masturbação, transa no banheiro do avião (que virou moda e acabou sendo chamada de ‘mile high club’), estupro e a eterna cena de uma praticante de pompoarismo fumando com a vagina. É o maior sucesso francês em bilheteria e acabou sendo distribuído sem cortes para os Estados Unidos, o que gerou uma legião de fãs. O efeito colateral é que por 30 anos, a personagem teve mais continuações que o pistoleiro Sartana. Foram 36 filmes, sendo que 11 com Kristel (quatro para o cinema e sete para a TV). Em tempo, aparentemente nunca houve uma Emmanuelle Arsan. Ela seria o pseudônimo de Louis-Jacques Rollet-Andriane.

O Império do Sentidos (1976): a história real do romance entre um homem casado e uma prostituta que se apaixonam e vivem um amor tão desenfreado que acaba com a morte dele, gerou um dos filmes mais polêmicos da história do cinema. O diretor Nagisa Oshima deu um tratamento de sexo explícito às cenas e o casal principal transou mesmo durante as filmagens, o que fez com que o filme não pudesse ser editado no Japão (teve de ir para a França) e fosse proibido e/ou cortado em diversos países do mundo. A história do filme até que é bem interessante, especialmente a conexão entre os dois e as cenas são bem quentes mesmo (a do ovo é ótima), mas o filme em si é muito chato. Para os de estômago fraco, o final pode chocar bastante.

Calígula (1979): imagine o que acontece quando um filme histórico, retratando um dos mais loucos,  tarados e descontrolados imperadores romanos e escrito por um dos grandes nomes do século 20, é financiado por uma revista erótica. O resultado é esse “clássico” do mau gosto, que conseguiu colocar atores renomados como Helen Mirren, Malcolm MacDowell e Sir John Gielgud em cenas de sexo explícito. Na verdade, o filme foi dirigido pelo italiano especializado em filmes eróticos leves, Tinto Brass (responsável, por exemplo, por Monella com a deliciosa Anna Ammirati), baseado no roteiro de Gore Vidal. Depois de uma produção conturbada, com diretor, atores e roteirista se odiando, o produtor do filme, Bob Guccione, dono da revista Penthouse, resolve demitir Brass e tomar conta da edição do filme. Segundo ele, havia pouco sexo na história e dá-lhe colocar cenas de harcore. E mais, ao invés de chamar as modelos de sua revista, o homem contrata mulheres feias, gordas e velhas para dar um ar mais “realista”. O filme foi um fracasso de crítica e bilheteria e teve vários cortes, inclusive uma versão sem sexo.

Diabo no Corpo (1986): no ano de 1986, nós não éramos mais assim tão ingênuos em termo de sexo no cinema, mas o diretor italiano Marco Bellochio causou furor com uma cena explícita de sexo oral da então gatíssima atriz holandesa Marushka Detmers no seu parceiro de cena, Federico Pitzalis. A menina, então com 24 anos e uma das musas de Jean-Luc Godard (fez Carmem), se arrependeu amargamente da brincadeira, pois ela “acabou nublando suas outras performances”, como se o fato dela aparecer nua a todo momento no filme também não fizesse isso. A coisa deve tê-la mesmo traumatizado, porque logo depois estrelou no cinema americano com o terrível Os Reis do Mambo e depois sumiu.


O futebol americano no cinema

Se você for analisar o esporte no cinema hollywoodiano, verá que os filmes sempre caem na mesma história, ou é sobre alguém que se destacou ou será sobre superação individual ou coletiva. E, na maioria dos casos, junta-se as duas coisas e cria-se uma cinebiografia para lá de romanceada e dela tira-se a lição de conquista e glória. Dos esportes coletivos que o americano tanto ama, o futebol se destaca por uma carreira cinematográfica invejável. Como os caras de lá já começam a se pegar na porrada nos campos universitários, o cinema consegue trabalhar o tema desde cedo.

Pegue por exemplo, The Freshmen, comédia de 1925 de um dos reis do cinema mudo, Harold Lloyd. Ele, que tinha um domínio físico incrível, faz um calouro na faculdade, vítima de maus tratos, que tenta ser popular. Sua saída? Entrar para o time de futebol americano da escola (e o cara filmou mesmo com o time da USC, durante o intervalo de uma partida real em Berkeley).

Em 1932, os indefectíveis Irmãos Marx dão um jeito de avacalhar com o esporte universitário em Os Gênios da Pelota onde Groucho é Quincy Adams Wagstaff, presidente da Huxley University que contrata Harpo e Chico para tentar transformar o time no vencedor do campeonato, com resultados hilários.

Já em 1940, uma cinebiografia iria ajudar um ator a ter sua imagem eternamente atrelada a heroísmo e fazer dele um dos políticos mais bem sucedidos do século XX. Era Knute Rockne All American, que contava a história do lendário professor e treinador da Notre Dame University, Knute Rockne, desenvolvedor de passes e estratégias imitadas até hoje pelos amantes do esporte. O lance é que lá pelas tantas surge um jogador incrível e extremamente talentoso, que se dedica arduamente ao sucesso do time e o cara contrai uma doença fatal e morre como herói no hospital. O personagem, George Gipp, foi interpretado por nada mais, nada menos que Ronald Reagan e sim, o ajudou muito nas campanhas futuras para governador e presidente dos EUA. Nada como um bom futebol, não é?

Outro retratado nos anos de ouro de Hollywood foi Jim Thorpe, um mestiço de índio e irlandês que venceu as provas de decathlon e pentathlon nas Olimpíadas em 1912, mas viu tudo ir por água abaixo quando suas medalhas lhe foram tiradas por algumas tecnicalidades. Na decadência, acabou se tornando técnico de futebol americano. O filme de 1951 tinha Burt Lancaster como Thorpe e continha filmagens reais dos feitos do esportista.

Esquecido por um tempo e vendo uma série de filmes feitos para a TV, o futebol americano voltou às telonas em 1974 com o divertidíssimo Golpe Baixo com Burt Reynolds. No filme, ele é um antigo quaterback cumprindo pena que é convencido pelo sádico diretor da prisão a formar um time para jogar contra os guardas. E aí o que se vê na tela é quase uma rebelião, numa disputa muitoi interessante de poder e corrução. Em 2005 tivemos uma refilmagem com Adam Sandler que até que é boazinha, mas não chega aos pés do original.

Dos anos 1990 temos três destaques: um é Rudy de 1993 com o “hobbit” Sean Astin fazendo um rapaz (o Rudy, óbvio) fraco no físico e nas notas que almeja chegar a jogador do Notre Dame (escolhido pelo site Sports in Movies, como o segundo melhor filme sobre futebol americano. O primeiro lugar foi feito para a TV). Jerry Maguire de 1996, tinha Tom Cruise como um empresário com crise de consciência que decide se tornar independente e representar apenas um atleta, o jogador de futebol amicano Rod Tidwell, interpretado por Cuba Gooding Jr. Este levou o Oscar de Ator Coadjuvante e nunca mais fez nada e o filme eternizou a frase “Show me the money!”. Já Um Domingo Qualquer de 1999, dirigido por Oliver Stone, mostrava os bastidores de um time, com uma presidente pressionando bravamente o técnico veterano que tem como problema um jovem talentoso e problemático como estrela do elenco. É mais ou menos uma junção da história recente do Flamengo com os técnicos que tiveram que enfrentar o Neymar, entende?

Nos anos 200o tivemos uma avalanche de filmes sobre o esporte, praticamente com a mesma premissa. Em 2000 veio Duelo de Titãs (baseado em fatos reais, técnico negro treina time integrado numa época onde negros e brancos não se misturavam, dando um exemplo para a comunidade), Meu nome é Radio de 2003 (baseado em fatos reais, técnico treina rapaz com problemas mentais e o torna um exemplo para a comunidade), Tudo pela Vitória de 2004 (baseado em fatos reais, treinador em time pequeno de Odessa no Texas, dá o exemplo para a comunidade falida e racista), Somos Marshall de 2006 (baseado em fatos reais, depois que um acidente de avião dizima o time da universidade de Marshall em 1970, estudantes tentam conseguir que jogar no campeonato de 1971, dando uma lição para a comunidade), Um Sonho Possível de 2009, deu o Oscar a Sandra Bullock e adivinhe?  É baseado em fatos reais. E quer mais? Mulher rica ajuda rapaz pobre a se tornar estrela do futebol americano. E, por incrível que pareça, se torna um exemplo para a comunidade.

No fim das quantas, é um tema que não acabará tão cedo. Mas na minha opinião, o melhor filme sobre futebol americano ainda é Goofy Sports – How to Play Football, o curta metragem da série de esportes do Pateta, onde a Faculdade de Taxidermia enfrenta o time da turma de Antropologia e o resultado final acaba sendo meio ponto a mais para o vencedor. Pelo menos aí você se diverte e a lição que fica é que a vida é surreal mesmo!


Dez ótimos filmes de viagem no tempo

Se existe um tema que fascina muita gente e que o cinema não se cansa de explorar é a viagem ao tempo. Seja abordando o retorno ao passado para tentar mudar as coisas ou a tentativa de conhecer o futuro antes que ele realmente aconteça, os filmes usam o recurso para divertir ou fazer pensar, mas invariavelmente faz com que alguém venha com a questão do “paradoxo”, ou seja, questione se você voltar para o passado e matar seu avô quando criança, como a coisa fica? Resposta nerd mais esclarecedora: você cria uma nova linha temporal. Pelo menos foi isso que JJ Abrahams usou no novo Star Trek com ótimo resultado.

Nesta sexta-feira (2), teremos a estreia da visão brasileira do assunto, com Wagner Moura retornando à sua juventude para evitar uma humilhação amorosa em O Homem do Futuro. Então nada melhor do que relembrar outros grandes filmes que mexeram com linha temporal e conseguiram ótimos resultados.

1. A Máquina do Tempo (1960)

HG Wells foi um escritor inglês que, como muitos do gênero, usaram a ficção científica como subterfúgio para mostrar as mazelas da sociedade e do ser humano. Em 1895, publicou a obra ‘A Máquina do Tempo’ que se tornou um tremendo filme em 1960, com Rod Taylor como o homem que inventa um dispositivo que o leva para o ano de 802.701. Lá, encontra uma sociedade de adultos com atitudes infantis, vivendo bucolicamente e depois descobre que, na verdade, eles eram “gado” para uma raça de monstros subterâneos, os morlocks. O clássico, que ganhou um Oscar de Efeitos Especiais, pela incrível cena da passagem do tempo, foi dirigido por George Pal, que também levaria às telas A Guerra dos Mundos, de Wells. Em 2002, o bisneto do escritor fez sua versão da obra com Guy Pearce no papel principal e mostrou que a genialidade não é hereditária na família. O filmeé uma bomba. Mais sorte teve Nicholas Meyer que, em 1979, dirigiu a divertida fantasia Um Século em 43 Minutos, onde HG Wells teria realmente construído a máquina, mas ela é roubada por Jack, o Estripador que a traz para a São Francisco dos anos 1970. O escritor, temendo pelo futuro, vai no encalço do assassino, mal sabedo que o pobre Jack está muito mais compatível com a sociedade atual do que ele pensava.

2.  Efeito Borboleta (2004)

Com base na teoria do caos, cujo dito popular diz que o bater as asas de uma borboleta em um canto da Terra pode provocar um tsunami em outro canto, esse filme bacaninha e menosprezado mostra Ashton Kutcher como um rapaz que possui o poder de incorporar em si mesmo quando criança e alterar os acontecimentos de sua vida. O problema é que a cada vez que ele faz alguma coisa, muda os eventos radicalmente e só consegue piorar a sua situação. E tenho que tirar o chapéu para os diretores que, em um mundo onde alívio é entregue de graça no cinema, tiveram a coragem de fazer um filme sem final feliz. Teve continuações descartáveis.

3. Jornada nas Estrelas IV: A Volta para Casa (1986)

A série clássica Jornada nas Estrelas brincou bastante com viagem ao tempo e nada mais natural do que levar o assunto para o cinema, nas mãos do próprio Sr. Spock. Leonard Nimoy já era ecologista de carteirinha numa época em que isso era sinônimo de chatice e dirigiu o quarto episódio da franquia mostrando Kirk e sua turma voltando para a São Francisco de outrora em busca de uma baleia jubarte, o único bicho que poderia salvar a Terra do futuro de uma sonda destrutiva e que se escontrava em extinção no século 23. É o mais engraçado dos filmes de Jornada, com muita piada em cima dos personagens estarem perdidos no passado atrasado. Viagem ao tempo acabou voltando para a franquia, agora com o pessoal a Nova Geração, no ótimo Primeiro Contato.

4. Em Algum Lugar do Passado (1980)

Esse filme fez toda uma geração se matar de chorar nos cinemas ao contar a bela história do um rapaz (Christopher Reeve) que se torna obcecado por uma atriz de 1900 e consegue voltar no tempo através de auto-hipnose, para assim viver um romance com ela. A trilha sonora lacrimosa de Roger Williams ficou famosa e usada em casamentos e programas de humor. O filme abriu caminho para outros bons romances com tempo envolvido como Te Amarei para Sempre, A Casa do Lado e outros só simpáticos como Kate & Leopold.

5. A saga do Exterminador do Futuro

James Cameron pegou todo mundo de surpresa em 1984 com essa ficção incrível que deu fama e fortuna para Arnold Schwarzenegger (depois que Stallone recusou o papel). O filme gerou várias continuações, mas a segunda ainda consegue ser a melhor de toda a cinessérie. O andróide de Arnie acabou entrando duas vezes na lista de melhores heróis e vilões do cinema, promovida pela AFI. Pelo primeiro Exterminador, ele ficou em 22o lugar entre os 50 vilões e pelo segundo filme da série é 48o herói.

6. A Fuga do Planeta dos Macacos (1971)

Podemos considerar O Planeta dos Macacos como um filme de viagem ao tempo (embora ele seja muito mais do que isso, ficando entre as nelhores ficções já feitas), mas é no terceiro filme da série que a coisa fica mais explícita, com um grupo de macacos chegando ao passado  e fazendo todo mundo ficar de cabelo em pé quando descobrem que o filho dos símios Dr. Cornelius e Dra Zira vai chefiar a revolta da macacada no futuro. Divertido e bem estruturado, é a única sequencia do filme original que realmente vale a pena.

7. Peggy Sue – Seu Passado a Espera (1986)

Na mesma época de De Volta para o Futuro, Francis Ford Coppola mostrou uma pessoa voltando aos nostálgicos anos 1950. Kathleen Turner, então grande musa oitentista, era uma mulher de 43 anos que leva uma vida fracassada e, em uma reunião de antigos colegas de escola, desmaia e acorda no passado, tendo a chance de mudar sua vida. O filme tem ótimas cenas de humor (como ela tentando fazer com que o namorado – e futuro marido – vivido por Nicholas Cage, grave ‘She Loves You’ antes dos Beatles) e momentos ternos (como Turner com os avós, falecidos no futuro), mas trata principalmente de lidar com algumas frustrações da vida.

8. Corra, Lola, Corra (1998)

Não é propriamente um filme de viagem ao tempo, mas lida – principalmente – com o tempo em si ao mostrar a história de uma jovem alemã que precisa conseguir cem mil marcos em 20 minutos ou seu namorado pode perder a vida. O diretor Tom Tykver mostra a mesma situação, de três maneiras diferentes, com uma pequena variação no tempo em que a menina se desloca, fazendo alterar completemente o curso da ação. Mais ou menos quando você perde aquele semáforo aberto e se vê parando em todas as esquinas a seguir.

9. Os 12 Macacos (1995)

Terry Gilliam é um diretor que ou se ama ou se a0deia. Eu, particularmente, sou fã de seu trabalho em obras como Brazil – o Filme, O Pescador de Ilusões e outro sobre viagens temporais, Os Bandidos do Tempo. Em 12 Macacos temos um prisioneiro (Bruce Willis) vindo do futuro para impedir que um louco solte um vírus devastador na Terra. Tomado com insano, é mandando para um hospício onde conhece Brad Pitt, que pode ter muito a ver com o destino da humanidade. As cenas da Nova York deserta, cheia de animais selvagens (que podem ter inspirado, anos depois, algumas sequencias de Eu sou a Lenda) e o final desolador são fantásticas.

10. Toda a série de De Volta para o Futuro

Era para ser uma geladeira e ter apenas um capítulo, mas quis o destino que o herói andasse numa máquina do tempo acoplada em um De Lorean e que o filme fizesse tanto sucesso que gerasse duas crias. De Volta para o Futuro de 1985 é mais que um clássico tipo “sessão da tarde”. É dinâmico, bem feito, atemporal (ok, um trocadilho bacaninha nesse post) e com um dos finais mais transados em aventuras juvenis. De Volta II já fica mais pesado com o vai e volta no tempo e a Terra alternativa onde Biff Tannen manda em tudo, mas é com De Volta III que temos uma das grandes homenagens e brincadeiras em cima do faroeste com sequencias e piadas para deixar qualquer cinéfilo feliz da vida (sempre rio com o lance de “Clint Eastwood vai ser conhecido cmo o maior covarde do oeste”). Não há mais lista de viagem ao tempo sem esses três filmes e com certeza, eles podem ser considerados os melhores do gênero.


O grande filme de ação de Hitchcock

Cheguei à conclusão que Intriga Internacional de 1959 é um filme que se comporta como um bom vinho. Quanto mais tempo passa, melhor fica. E não é para menos! Possui uma série de ingredientes campeões para dar certo. A começar pela direção segura do próprio Hitch à vontade em um de seus temas recorrentes, o do homem errado. Depois vem o roteiro fantástico de Ernest Lehman, que escrevera Sabrina, o cáustico A Embriaguez do Sucesso e depois nos daria Trama Macabra. Some a isso a fantástica música de Bernard Herrmann e a abertura de Saul Bass e já se tem um filmão.

A idéia do filme começou quando Hitchcock comentou com Lehmann em um almoço que queria poder fazer um filme com uma perseguição nos rostos dos presidentes do Monte Rushmore. Disse ainda que queria uma cena que fosse passada no prédio da ONU, onde uma sessão não poderia começar enquanto não acordassem o representante do Peru (palavras dele, não minhas). Assim, o roteirista desenvolveu a história de um publicitário de sucesso, Roger Thornhill, que é confundido com um espião, George Kaplan, e precisa escapar de vilões e ainda tentar achar o verdadeiro Kaplan. O problema é que o agente não existe. É apenas um personagem inventado pela inteligência para distrair seus inimigos. Ainda no caminho surge uma bela loura sedutora para complicar ainda mais (ou não) a vida de Thornhill.

Hitchcock acreditava que vilões deveriam ser muito bem construídos ou o filme naufragava, então o sempre classudo James Mason foi escalado para ser o homem que transforma a vida do publicitário em um inferno e um “mefistofélico” Martin Balsam era seu braço direito (é engraçado como este só ficou “simpático” depois de velho). James Stewart, veterano dos filmes de Hitch, queria desesperadamente o papel de Thornhill, mas o diretor o achava “muito velho” para o personagem. Os estúdios tentaram empurrar Gregory Peck, mas Cary Grant acabou sendo escolhido, mesmo sendo quatro anos mais velho que Stewart.  Hitchcock tinha uma paixão platônica por louras sensuais como Grace Kelly até mesmo para suplantar o fato de ser feio, velho e muito gordo. Em Intriga Internacional a bola da vez foi Eva Marie Saint, que aparecera em Sindicato de Ladrões.

Aliás as cenas entre Eva e Grant são daquelas de fazer você pensar em porque nunca uma  mulher desconhecida falou com você daquele jeito. Existe uma química toda especial entre os dois e o processo de sedução é verdadeiramente invejável, com diálogos precisos e troca de olhares esclarecedoras (se você assistiu também Os Agentes do Destino e prestou atenção em Matt Damon e Emily Blunt sabe do que estou falando).

Outra coisa que se destaca neste clássico são as cenas de ação. A mais famosa acabou sendo a de Grant sendo perseguido por um avião em meio a um campo aberto. O extraordinário da sequencia é justamente os momentos de silêncio que antecedem a tensão, com Grant de um lado da estrada e um caipira do outro até que este último comenta que o avião estava pulverizando uma área que não possuía plantações. É o bastante para sabermos que algo de ruim vem por aí. Quando entrevistado por Truffaut, Hitch disse que quis zombar com o clichê do “personagem que vai em direção à própria morte”, criando todo um clima só para Grant poder escapar. E, obviamente, temos a sequencia final no Monte Rushmore. Aliás, antes dela, temos um dos mais famosos furos do cinema, quando na cena do tiro no restaurante do parque, se você prestar atenção em um menino no lado direito da tela, verá que ele leva os dedos ao ouvido bem antes do tiro ser disparado. E, em tempo, apesar do filme ter uma sequencia na ONU (filmada sem permissão), não há nenhuma menção do delegado do Peru.

Um timaço: Grant (de costas), James Mason, Eva Marie Saint e o tenebroso Martin Landau

Hitchcock tinha um contrato com a MGM onde o estúdio não podia interferir com o filme e assim conseguiu fazer um dos melhores filmes de mistério e espionagem já produzidos. Acabou sendo escolhido o 55o melhor filme do século pelo American Film Institute e o grande encerramento da fase de ouro de Alfred Hitchcock, já que no ano seguinte ele partiria para uma experiência mais aterradora com Psicose.


Well done, Sir Sean Connery

Sir Thomas Sean Connery, o escocês mais famoso do mundo depois do uísque, chega aos 81 anos de idade hoje, 26 de agosto e ainda é um daqueles caras que a gente quer ser na próxima encarnação. Connery é considerado por muitos o melhor James Bond, conseguiu escapar brilhantemente do espectro do personagem e encarnar tipos fascinantes como um almirante russo em A Caçada ao Outubro Vermelho, um rei grego em Os Bandidos do Tempo, um irlandês em A Lenda dos Anões Mágicos, um americano em Encontrando Forrester entre tantos outros. E todos escoceses, segundo ele.

Connery foi leiteiro, marinheiro, salva-vidas, polidor de caixões e modelo até cair no teatro em 1951 e depois em pequenos papéis no cinema. Logo no começo de sua carreira cinematográfica ocorreu um incidente que iniciou a sua fama de machão. Ao trabalhar em Vítima de uma Paixão ao lado de Lana Turner, Sean teve que enfrentar o ciume doentio do namorado da atriz, o gangster Johnny Stompanato. O bandido invadiu o set de arma em punho e ameaçou o ator, que simplesmente desarmou o cara e meteu-lhe um direto na cara, derrubando-o. Por alguns meses, Connery teve que tomar cuidado porque o chefão de Stompanato, o mafioso Mickey Cohen, queria pegá-lo.

E foi por essa atitude máscula, pelo jeito blasé, o charme e elegância que em 1952, Connery se tornou James Bond, contrariando o criador do personagem que preferia alguém mais aristocrático como David Niven ou James Mason. Foram cinco filmes do personagem na cronologia oficial e um “por fora”, na refilmagem de ‘Thunderball’, Nunca Mais Outra Vez. Essa masculinidade heróica pontuou todos os outros papéis de sua carreira, inclusive já na idade avançada, trabalhando em ótimas aventuras como Highlander – O Guerreiro Imortal, Os Intocáveis e o divertido e exagerado A Rocha e outras bem duvidosas como A Liga dos Cavalheiros Extraordinários ou Armadilha. Também estreou dramas interessantes tais como Encontrando Forrester e Corações Apaixonados. E, em uma homenagem incrível, foi o pai de Indiana Jones em A Última Cruzada.

Sean Connery também sempre foi o rei de declarações polêmicas, daquelas que as pessoas pedem uma retratação e ele faz que não está nem aí. Causou furor ao dar uma entrevista nos EUA e quando indagado se era verdade que ele tinha batido em sua ex-mulher, tascou “que dar uns tapas de vez em quando era necessário e bom”. Ao ser criticado por ter deixado de torcer pelo Celtic FC e passar a apoiar os Rangers FC, disse “eu torço para quem joga melhor. Ter uma dedicação religiosa a um time não diz nada para mim”. Recusou ser Gandalf na trilogia de O Senhor dos Anéis porque “não entendeu nada”. E finalmente, quando decidiu se aposentar das telonas depois do péssimo A Liga Extraordinária, afirmou que estava farto com os idiotas e com o abismo cada vez maior entre as pessoas que sabem como fazer filmes e aqueles que o aprovam. E complementou: “Eu não digo que eles são todos idiotas – Eu só estou dizendo que há um monte deles”.

Connery chega aos 81 anos como Cavaleiro do Império Britânico, com um Oscar, dois Bafta e três Globos de Ouro na estante, uma estátua de bronze em Tallinn, capital da Estônia e em 1999 foi escolhido o homem mais sexy do século pela revista People. Jolly pretty good and congratulations, old chap!